Precificação para gráficas

Como precificar panfleto e flyer por tiragem

O preço unitário de panfleto e flyer cai quando a tiragem sobe porque o acerto é o mesmo nas duas pontas. Separar o que é custo fixo do que é custo variável e montar a tabela de 500, 1.000, 2.500 e 5.000 é o que faz o preço bater com a máquina que você realmente usa.

Publicado em 05 de outubro de 2026•Atualizado em 05 de outubro de 2026•Leitura: 11 min•Equipe Cromari

Resposta em 30 segundos

O preço unitário cai porque o custo fixo de acerto é dividido por mais exemplares, e não porque o papel fica mais barato. Fechamento, prova, chapas, acerto e lavagem custam o mesmo em 500 e em 5.000 panfletos; papel, tinta e hora-máquina custam o mesmo por folha.

Com os números do post, o custo fixo responde por 78,6% do custo do panfleto em 500 exemplares e por 27,5% em 5.000. É por isso que a curva desce de um jeito torto: o preço unitário cai de R$ 0,83 para R$ 0,24, e a maior parte dessa queda acontece já na passagem de 500 para 1.000 exemplares. Depois das 2.500, o ganho por unidade é pequeno perto do que já veio antes.

1. O produto de referência da tabela

Tabela de preço sem produto de referência é tabela de achismo. Antes de qualquer conta, você fixa um panfleto padrão e calcula só ele. O exemplo deste post é este, e todos os números daqui para frente se referem a ele:

Produto de referência do exemplo
ItemDefinição
FormatoA6 (105 x 148 mm)
Cor4x0 no anverso e 4/0 no verso
PapelOffset 250 g
AcabamentoCorte simples, sem laminação
Folhas por A44 unidades (aproveitamento de 99%)

Esse passo é o que costuma faltar. Sem o produto travado, cada vendedor recalcula do zero, com números diferentes, e a lista de preço deixa de valer para o comercial. Se você ainda não sabe quantas unidades saem de uma folha nem quanto custa o metro quadrado impresso no seu processo, a calculadora de aproveitamento de folha e a calculadora de preço por m² resolvem essa etapa antes de você montar a planilha.

2. O que é custo fixo de acerto (o mesmo em qualquer tiragem)

Custo fixo é o que a gráfica gasta uma vez só por job, para o primeiro e para o último exemplar. Ele não divide com a tiragem antes de acontecer: entra uma vez no total e só depois é dividido. Os itens que o compositor tem que acertar são:

  • Fechamento de arquivo. Conferir fontes, imagens em resolução, perfil de cor e sangria. Adicionar ajuste de última hora do cliente aqui custa mais caro do que parece.
  • Prova com aprovação por escrito. Reprovar prova significa reimprimir o lote inteiro.
  • Chapas no offset, uma por cor. É o item que mais pesa e o que faz a faixa pequena ser cara.
  • Acerto de máquina. São as primeiras folhas, consumidas para acertar tinta e registro. Uma offset come por volta de 12 folhas de acerto, e o número é o mesmo para 500 ou para 50.000.
  • Lavagem e troca de job. Mais algumas folhas para limpar a máquina entre um pedido e outro.
  • Parada de acabamento. Alinhar guilhotina, ajustar laminadora, montar o gabarito de corte.

Repare no detalhe que faz a conta fechar: acerto e lavagem entram pelo número de folhas, não como um percentual da tiragem. Por isso, na tabela abaixo eles aparecem somados no final (12 + 8 = 20 folhas) em todas as faixas.

3. O que é custo variável (o mesmo por folha)

Custo variável é o que o job consome folha por folha. Ele precisa ser medido em reais por folha, porque é o que multiplica pela tiragem.

Custo variável por folha A4 impressa (valores de exemplo)
ItemPor folha
Papel offset 250 g, 0,0156 kg a R$ 1,45/kgR$ 0,023
Tinta 4/4 com cobertura altaR$ 0,045
Hora-máquina offset, 5.000 folhas/h a R$ 95,00/hR$ 0,019
Guilhotina, 2.000 folhas/h a R$ 55,00/hR$ 0,028
Custo por folha impressaR$ 0,115

Com quatro unidades por folha, o custo variável por panfleto é R$ 0,115 dividido por 4, ou seja R$ 0,0288. Multiplicado pelas folhas de cada faixa, ele vira a coluna de custo por unidade da tabela do próximo tópico.

Esses valores são de exemplo e servem para mostrar o método. O que precisa ser seu é o preço do quilo do papel com o desconto que sua compra realmente tira, a tinta que a sua máquina consome nesse preenchimento e a hora-máquina da sua equipe. Se a hora da máquina ainda não está medida, o cálculo do valor da hora está em como calcular o custo da hora-máquina na gráfica.

4. A conta das quatro faixas

A fórmula tem quatro passos, sempre nesta ordem. Primeiro a perda percentual, que é fração do que se imprime: 1.000 exemplares com 4% de perda exigem 1.000 / 0,96 = 1.042 folhas. Depois somam-se as 20 folhas de acerto e lavagem. O total consumido vai multiplicado pelo custo variável, e o custo fixo entra uma vez no job. Só no fim a conta divide pela quantidade que o cliente recebe.

Tabela de custo e preço por tiragem, panfleto A6 4/4 offset 250 g
TiragemFolhas consumidasCusto fixo por unidadeCusto por unidadePreço com 30% de margemPeso do acerto
500541R$ 0,46R$ 0,58R$ 0,8378,6%
1.0001.062R$ 0,23R$ 0,35R$ 0,5065,2%
2.5002.625R$ 0,09R$ 0,21R$ 0,3043,1%
5.0005.229R$ 0,05R$ 0,17R$ 0,2427,5%

Na faixa de 500, o job consome 541 folhas (521 de tiragem, mais 20 de acerto e lavagem). O custo total fica em R$ 290,52: R$ 228,30 de custo fixo mais 541 folhas de R$ 0,115. Dividindo por 500 unidades, o custo é R$ 0,58 por panfleto. Com 30% de margem, o preço é R$ 0,58 dividido por 0,70, o que dá R$ 0,83.

Em 5.000 exemplares o job consome 5.229 folhas (5.209 de tiragem, mais 20) e custa R$ 829,64. O custo por unidade desce para R$ 0,17 e o preço para R$ 0,24. A conta se resume nisto: o mesmo panfleto custa R$ 0,58 na faixa de 500 e R$ 0,17 na faixa de 5.000, diferença de R$ 0,42 de custo por panfleto. Em um pedido de 500 exemplares isso dá R$ 208, valor quase igual ao custo fixo de R$ 228,30. É o acerto, e ele foi pago inteiramente por quem comprou pouco.

A coluna do peso do acerto mostra o ponto central deste post: 78,6% do custo em 500 exemplares, 27,5% em 5.000. É a leitura que mostra para você onde o preço está sendo decidido.

5. Como montar a sua tabela em 7 passos

  1. Trave o produto de referência da tabela: formato, papel, cor nos dois lados e acabamento. Sem acabamento definido, a linha vira "panfleto" e cada um entende uma coisa.
  2. Some o custo fixo do job com as horas reais da sua equipe, sem usar hora-padrão da tabela do setor. Se o acerto levou 40 minutos e não uma hora, o custo fixo é esse.
  3. Meça o custo variável por folha: papel em reais por quilo, quantas unidades saem de cada folha, tinta pelo preenchimento e hora da máquina.
  4. Meça a perda do seu processo, em três parcelas: folhas de acerto, folhas de lavagem e o percentual de perda da tiragem. Esse passo é o que mais gente pula. O detalhe de como a perda percentual entra na conta está em perda técnica na gráfica.
  5. Calcule cada faixa: perda antes da soma, fixo uma vez, dividido pela quantidade entregue. Repita para 500, 1.000, 2.500 e 5.000.
  6. Aplique a margem. O preço é o custo dividido pelo que sobra depois da margem: preço = custo / (1 - margem). Se houver comissão de vendedor e imposto sobre a venda no mesmo cálculo, eles entram no denominador junto: preço = custo / (1 - margem - comissão - imposto). O percentual de imposto depende do regime tributário da sua empresa e do serviço prestado, confirme com o seu contador e nas orientações da Receita Federal e do SEBRAE antes de fixá-lo na tabela. Os exemplos deste post usam só margem, sem imposto e sem comissão.
  7. Arredonde o preço para cima, nunca para baixo, e teste a tabela com pedidos reais. Arredondar para baixo é a forma mais rápida de vender abaixo do custo sem perceber.

6. Erros que fazem a tabela errar

Estes seis erros aparecem em quase toda gráfica que monta a primeira versão da tabela. O efeito de cada um está descrito com o número do exemplo, para você conferir na sua própria conta.

Reaproveitar o custo unitário calculado em uma tiragem de referência para as outras faixas.

Em 5.000 exemplares o custo por unidade é R$ 0,17, e não os R$ 0,58 de 500. Reaproveitar o número pequeno faz a tiragem grande parecer deficitária quando ela é a mais rentável da lista.

Calcular a perda somando percentual em vez de dividindo, ou seja, fazer 1.000 mais 4% em vez de dividir por 0,96.

A perda percentual incide sobre o que a máquina imprime, não sobre o que o cliente leva. Pedir 1.000 bons com 4% de perda exige 1.042 folhas impressas, e não 1.040. O resto do lote falta e sobra reprint.

Cobrar o mesmo preço para 4x0 e para 4/4 no mesmo formato e papel.

O verso colorido consome tinta e tempo de máquina praticamente em dobro. Nos números do post, ir de 4x0 para 4/4 leva a tinta de R$ 0,0225 para R$ 0,045 por folha e a hora-máquina de R$ 0,0095 para R$ 0,019, o que puxa o custo por folha de R$ 0,083 para R$ 0,115. Mesmo gastando R$ 48,00 a menos em chapas, porque o 4x0 usa quatro chapas em vez de oito, o job de 500 exemplares passa de R$ 225,20 (R$ 180,30 de acerto mais 541 folhas de R$ 0,083) para R$ 290,52 (R$ 228,30 de acerto mais 541 folhas de R$ 0,115): o custo por unidade sai de R$ 0,45 para R$ 0,58 e o preço de R$ 0,64 para R$ 0,83, na mesma margem de 30%.

Montar a tabela só com papel e hora-máquina, sem o custo fixo de acerto.

Em 500 exemplares, quatro quintos do custo do job são acerto. Sem essa parte, o preço unitário sai pela metade e a gráfica vende a tiragem pequena abaixo do custo.

Não comparar a máquina da faixa pequena com a da faixa grande.

Folha A4 em máquina digital não leva chapa e ganha em tiragem pequena. A partir de um certo volume, o offset com chapa ganha porque o custo fixo se dilui. Sem essa comparação, a tabela oferece a máquina cara na faixa errada.

Precisar acabamento e moldura na mesma tabela, sem setup próprio.

Laminação, verniz e hot stamping têm acerto e parada próprios. Amarrado na tabela do panfleto sem acabamento, o acabamento vira prejuízo nas faixas pequenas.

Se você reconhecer três ou quatro desses na sua tabela atual, o diagnóstico e a correção estão detalhados em erros de precificação que matam a margem da gráfica.

Perguntas que sempre aparecem

Por que 500 exemplares de panfleto saem muito mais caros por unidade que 5.000?

Porque o acerto custa o mesmo nas duas tiragens. Fechamento de arquivo, prova, chapas, acerto de máquina e lavagem somam R$ 228,30 nos dois casos. Em 500 unidades isso dá R$ 0,46 por panfleto só de custo fixo; em 5.000 dá R$ 0,05. O papel e a tinta continuam custando o mesmo por folha nas duas faixas, então a curva de preço não é linear: ela cai muito até 1.000 e depois vai se achatando.

Quantas faixas de preço eu preciso colocar na tabela?

Quatro já resolvem a maior parte do comércio: 500, 1.000, 2.500 e 5.000. Elas cobrem o panfleto de bairro, a campanha de loja e o folheto de evento grande. Acima de 5.000 a curva já está quase achatada, então uma faixa extra não muda muito a conversa e aumenta a chance do vendedor inventar desconto fora da tabela.

A partir de quantos exemplares compensa rodar em offset em vez de digital?

Depende do custo fixo do seu offset e do custo por folha do seu digital, e o jeito certo é comparar as duas contas em vez de decorar um número. Some o custo fixo do offset (chapas, prova, acerto) e divida por cada tiragem candidata. A faixa onde esse valor por unidade cai abaixo do custo por folha do seu digital é o ponto de virada da sua gráfica. No exemplo deste post, R$ 228,30 distribuídos em 5.000 exemplares dão R$ 0,05 de acerto por panfleto, que é o número que você compara com a digital antes de oferecer a tiragem grande no offset.

Como entro acabamento como laminação ou verniz no preço por tiragem?

Como uma linha separada, com custo fixo e custo variável próprios. O material da laminação é variável e entra por unidade. A máquina de laminação tem parada e ajuste, que são fixos, e o consumo de filme é fixo por job. Some os dois e aplique a mesma fórmula da tabela. Se o acabamento é comum na sua carteira, vale criar uma tabela própria para ele em vez de pendurá-lo na tabela do panfleto sem acabamento.

Posso dar mais desconto na tiragem grande sem perder margem?

Pode, e nesse caso a margem acompanha porque o custo cai junto. Com o exemplo do post, o custo por unidade passa de R$ 0,58 para R$ 0,17 entre 500 e 5.000 exemplares, então o desconto extra vem da própria diluição do acerto e não do seu bolso. O limite é a soma: desconto de tiragem, desconto de cliente e desconto de negociação não podem juntos passar do preço que você calculou para a faixa. O método do teto de desconto, com a fórmula e o exemplo em reais, está no post sobre desconto por quantidade na gráfica.

Preço de panfleto que sai do seu custo e não do chute

No Cromari você cadastra o panfleto com custo, material, acabamento e taxa de lucro, registra a perda técnica do processo com folhas de acerto, de lavagem e o percentual da tiragem, e marca se o item leva GGF no preço. As listas de preço guardam o tipo de ajuste e o valor, para o comercial aplicar o mesmo critério nas quatro faixas de tiragem, com o custo completo na frente de cada preço.

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