Precificação operacional

Como calcular o custo da hora-máquina na gráfica: fórmula passo a passo

A hora-máquina é o divisor que separa 'a máquina é cara' de 'o job consumiu muita máquina'. Este guia traz a fórmula, a lista do que entra nos custos fixos, o cálculo passo a passo para offset e para digital, e o erro de usar horas-padrão em vez do tempo real, que é exatamente o que faz sua hora parecer barata demais.

Publicado em 26 de setembro de 2026•Atualizado em 26 de setembro de 2026•Leitura: 9 min•Equipe Cromari

Resposta curta: o custo da hora-máquina é (custos fixos mensais da máquina ÷ horas de máquina disponíveis no mês), e o preço do serviço que usa máquina é o custo variável por hora (chapa, tinta, solventes e energia variável) somado a esse fixo. Se a sua hora-máquina está baixa demais, o erro quase sempre é o mesmo: você está dividindo custos fixos por horas consumidas, ou está esquecendo de um custo fixo, quase sempre depreciação.

O segundo erro, mais sutil e mais caro, é usar horas-padrão: assumir que todo corte leva 20 minutos porque a maioria leva. O que a precificação precisa é do tempo que aquele job realmente consumiu, e é por isso que o registro de tempo por etapa importa mais do que a fórmula em si. A fórmula é uma divisão; o divisor é o dado.

As duas fórmulas

hora-máquina = custo fixo mensal da máquina ÷ horas disponíveis

preço do serviço = (custo variável por hora × horas do job) + (hora-máquina × horas do job)

Repare que as horas do job entram nas duas. É por isso que o tempo real registrado é o ativo mais valioso do cálculo.

Offset: cálculo passo a passo

Offset tem custo fixo pesado (a máquina em si e a depreciação dela) e opera muitas horas por job. Exemplo de uma offset 4 cores em uma gráfica com 22 dias úteis por mês:

Custo fixo mensal de uma offset 4 cores (exemplo)
ComponenteValorComo chegar nele
Aluguel da área industrial (proporcional)R$ 4.800,00Contrato × m² ocupado pela máquina
Energia elétrica da áreaR$ 3.100,00Consumo medido por circuito
Manutenção e peçasR$ 2.400,00Contratos + peças de reposição do período
Depreciação do equipamentoR$ 6.700,00Valor de aquisição ÷ anos de vida útil
Materiais de manutenção (óleo, correias, lonas)R$ 600,00Consumo real
Licenças de RIP e software de produçãoR$ 900,00Mensalidade ÷ 1 máquina
Total de custo fixo de máquinaR$ 18.500,00

Agora as horas. Nem toda hora de turno é hora de produção:

Horas de máquina disponíveis (exemplo)
ItemBaseResultado
Turno de operação8 h/dia × 22 dias176 h/ mês
Setup, troca de job, limpezamedia de 1,5 h por dia33 h/ mês
Manutenção preventiva e corretivamédia de 4 h/semana17 h/ mês
Horas realmente disponibles126 h/ mês
Consumo médio registradomédia de 70% das disponíveis88 h/ mês

Resultado: 18.500 ÷ 126 = R$ 146,83 por hora de máquina disponível.

Uma tiragem de 5.000 exemplares que consumiu 6,5 h de impressão carrega R$ 954,40 de custo fixo de máquina, R$ 0,19 por exemplar. Se o job foi vendido a R$ 0,15 por unidade, a gráfica perdeu R$ 0,04 por exemplar antes de qualquer outro custo. Esse é o tipo de prejuízo que não aparece em nenhum extrato porque está diluído no "preço de impressão" que o cliente acha barato.

Digital e finishing: o mesmo método, outras horas

Em impressão digital e em finishing, a conta muda de lugar, não de método. A máquina é mais barata, mas consome muito mais energia por hora, e o custo fixo é dominado por software, RIP, licenças, contrato de manutenção. Exemplo de um parque digital pequeno:

Custo fixo mensal de uma máquina digital (exemplo)
ComponenteValorObservação
Energia (consumo medido, circuito dedicado)R$ 1.900,00Digital consome muito mais kW que offset
Licenças de RIP e software de produçãoR$ 1.200,00Contrato anual ÷ 12 ÷ nº de máquinas
Contrato de manutençãoR$ 2.100,00MENSAL, inclui peças
Aluguel proporcional da áreaR$ 1.500,00Área de finishing
DepreciaçãoR$ 2.800,00Linear em 5 anos
TotalR$ 9.500,00
Horas disponíveis (20 dias × 8 h − setup e manutenção)128 h/ mês
Hora-máquina disponívelR$ 74,229.500 ÷ 128

Em digital, o erro clássico é esquecer as licenças. Uma RIP de R$ 14.400 por ano em uma gráfica com 3 máquinas parece barato até virar R$ 400 por mês por máquina, e R$ 3,13 por hora de produção real.

Em finishing, a mesma lógica vale para guilhotina, laminação e encadernação: são máquinas com custo fixo relevante e poucas horas de uso, o que as torna as piores armadilhas de custo da operação. Uma guilhotina usada 40 horas por mês carrega custo fixo por um turno inteiro.

O erro das horas-padrão, em números

Suponha que a gráfica tenha 100 cortes no mês, com 80 deles levando 20 minutos e 20 deles levando 70 minutos (setup, material tricky, papel irregular). O tempo-padrão de 20 minutos assume 26,7 h de máquina no mês. O tempo real é 53,3 h, o dobro.

Se a hora-máquina foi calculada assumindo 26,7 h e o rateio de GGF usou essas mesmas horas-padrão, o custo indireto dos 20 cortes lentos fica metade do que deveria. Na prática, esses cortes aparecem como jobs "no padrão" que sempre dão prejuízo e ninguém sabe por quê.

A saída não é afinar a média com exceção, é registrar. Mede-se o início e o fim de cada item em cada etapa, separa-se o que é mão-de-obra do que é máquina por etapa, e o número real substitui a média. Para item sem tempo registrado, há uma estimativa de fallback de 0,5 h de mão de obra e 0,3 h de máquina por unidade, mas estimativa de fallback não é medição: se o seu rateio está majoritariamente em fallback, você ainda está no chute.

Como o tempo real vira taxa no GGF

O caminho completo, ponta a ponta:

  1. Produção registra o tempo. Cada item que entra em uma etapa fica com hora de início e hora de fim.
  2. A etapa define o tipo de hora. Corte e impressão contam hora de máquina; montagem e embalagem contam hora-homem; uma etapa mista conta as duas.
  3. O mês fecha com um total por centro de custo. Total de horas-máquina e total de horas-homem, por centro.
  4. O GGF é rateado sobre esses totais. Centro de máquina usa a base de horas-máquina; centro de mão de obra usa a base de horas-homem.
  5. O rateio volta para o item. Cada unidade do produto carrega o seu GGF unitário, somado ao custo direto no preço final.

A fórmula completa de rateio, com as 5 bases →

O que o sistema faz, e o que continua sendo seu

Vale ser explícito aqui, porque este guia não é propaganda. O Cromari não tem cadastro de ativos, controle de depreciação nem cadastro de custo de hora-máquina por equipamento. Se sua gráfica precisa de um inventário de máquinas com depreciação contábil, isso continua em outro lugar.

O que o sistema faz é a parte que mais importa para a precisão: registrar o tempo real de produção por etapa, separar mão de obra de máquina, totalizar por centro de custo, ratear o GGF sobre essas horas e devolver o GGF unitário por item, com o preço final já somado. A hora que alimenta esse rateio é medida, não presumida. Veja os detalhes em GGF (Gastos Gerais de Fabricação) e confira o fluxo de ponta a ponta no ERP para gráficas.

Ou seja: a conta de custo fixo da máquina é sua, mas o divisor é um dado real em vez de uma média que ninguém questiona. Em troca você também ganha o lead time real por etapa, que é o mesmo dado visto de outro ângulo.

Calcule a sua hora-máquina agora

Use a calculadora gratuita de hora-máquina: informe valor da máquina, vida útil, manutenção, energia, operador e horas produtivas, e veja o custo por hora com cada parcela separada.

Perguntas que sempre aparecem

A hora-máquina é o mesmo para corte e para impressão?

Geralmente não. A máquina de corte tem um custo fixo menor e um consumo de energia menor, mas um custo de manutenção alto por hora de uso (ferramenta, faca, rolamento). A offset tem custo fixo alto e depreciação pesada, mas opera muitas horas por job. Calcule uma taxa por máquina, ou por classe de máquina, a partir dos custos fixos que lhe são atribuíveis.

Devo dividir por horas disponíveis ou por horas consumidas?

Para precificar, use horas consumidas: é a hora que o cliente realmente ocupa a máquina. Use horas disponíveis para medir a eficiência e para ratear despesa fixa quando a base do rateio é tempo de produção, porque a despesa existe se a máquina está ligada ou parada no turno. Ter as duas visíveis é o que permite ver o idle.

Como classifico depreciação em uma gráfica pequena?

Como despesa indireta, alocada no centro de custo da máquina. Depreciação é o custo de consumir o capital da máquina ao longo da vida útil, não uma despesa do mês em que a máquina foi comprada. Em uma gráfica que não tem controle de ativos, o mais honesto é estimar uma depreciação mensal linear e mantê-la visível na lista de custo fixo da máquina, mesmo que o registro formal fique no bookkeeping.

E a energia: rateio por kWh ou por hora?

Se você tem medidor por circuito, use kWh, é o dado real. Se não tem, estime o consumo nominal da máquina em kW pela potência do motor, multiplique pelas horas de operação e depois rateie por hora-valor. O erro comum é dividir a conta de luz inteira da fábrica pelas horas de uma máquina só.

O sistema calcula a hora-máquina para mim?

O que o sistema faz é medir: ele registra o tempo real que cada item passou em cada etapa e separa o que é mão de obra do que é máquina, conforme a etapa. Com esse total de horas-máquina consumido no mês, o GGF é rateado por essa base e volta para o item como custo indireto unitário. A conta de custo fixo de máquina (aluguel proporcional, depreciação, manutenção) continua sendo sua: o sistema usa a hora medida, não decide o quanto custa a máquina.

Troque a hora-padrão pela hora medida

No Cromari, cada item de produção acumula o tempo real em cada etapa, com a separação entre mão de obra e máquina. O GGF é rateado sobre essas horas e volta para o item como custo unitário, o que torna o preço da hora-máquina defensável perante o cliente e auditável perante o contador.

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