Precificação operacional
Como calcular o custo da hora-máquina na gráfica: fórmula passo a passo
A hora-máquina é o divisor que separa 'a máquina é cara' de 'o job consumiu muita máquina'. Este guia traz a fórmula, a lista do que entra nos custos fixos, o cálculo passo a passo para offset e para digital, e o erro de usar horas-padrão em vez do tempo real, que é exatamente o que faz sua hora parecer barata demais.
Resposta curta: o custo da hora-máquina é (custos fixos mensais da máquina ÷ horas de máquina disponíveis no mês), e o preço do serviço que usa máquina é o custo variável por hora (chapa, tinta, solventes e energia variável) somado a esse fixo. Se a sua hora-máquina está baixa demais, o erro quase sempre é o mesmo: você está dividindo custos fixos por horas consumidas, ou está esquecendo de um custo fixo, quase sempre depreciação.
O segundo erro, mais sutil e mais caro, é usar horas-padrão: assumir que todo corte leva 20 minutos porque a maioria leva. O que a precificação precisa é do tempo que aquele job realmente consumiu, e é por isso que o registro de tempo por etapa importa mais do que a fórmula em si. A fórmula é uma divisão; o divisor é o dado.
As duas fórmulas
hora-máquina = custo fixo mensal da máquina ÷ horas disponíveis
preço do serviço = (custo variável por hora × horas do job) + (hora-máquina × horas do job)
Repare que as horas do job entram nas duas. É por isso que o tempo real registrado é o ativo mais valioso do cálculo.
Offset: cálculo passo a passo
Offset tem custo fixo pesado (a máquina em si e a depreciação dela) e opera muitas horas por job. Exemplo de uma offset 4 cores em uma gráfica com 22 dias úteis por mês:
| Componente | Valor | Como chegar nele |
|---|---|---|
| Aluguel da área industrial (proporcional) | R$ 4.800,00 | Contrato × m² ocupado pela máquina |
| Energia elétrica da área | R$ 3.100,00 | Consumo medido por circuito |
| Manutenção e peças | R$ 2.400,00 | Contratos + peças de reposição do período |
| Depreciação do equipamento | R$ 6.700,00 | Valor de aquisição ÷ anos de vida útil |
| Materiais de manutenção (óleo, correias, lonas) | R$ 600,00 | Consumo real |
| Licenças de RIP e software de produção | R$ 900,00 | Mensalidade ÷ 1 máquina |
| Total de custo fixo de máquina | R$ 18.500,00 |
Agora as horas. Nem toda hora de turno é hora de produção:
| Item | Base | Resultado |
|---|---|---|
| Turno de operação | 8 h/dia × 22 dias | 176 h/ mês |
| Setup, troca de job, limpeza | media de 1,5 h por dia | 33 h/ mês |
| Manutenção preventiva e corretiva | média de 4 h/semana | 17 h/ mês |
| Horas realmente disponibles | 126 h/ mês | |
| Consumo médio registrado | média de 70% das disponíveis | 88 h/ mês |
Resultado: 18.500 ÷ 126 = R$ 146,83 por hora de máquina disponível.
Uma tiragem de 5.000 exemplares que consumiu 6,5 h de impressão carrega R$ 954,40 de custo fixo de máquina, R$ 0,19 por exemplar. Se o job foi vendido a R$ 0,15 por unidade, a gráfica perdeu R$ 0,04 por exemplar antes de qualquer outro custo. Esse é o tipo de prejuízo que não aparece em nenhum extrato porque está diluído no "preço de impressão" que o cliente acha barato.
Digital e finishing: o mesmo método, outras horas
Em impressão digital e em finishing, a conta muda de lugar, não de método. A máquina é mais barata, mas consome muito mais energia por hora, e o custo fixo é dominado por software, RIP, licenças, contrato de manutenção. Exemplo de um parque digital pequeno:
| Componente | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Energia (consumo medido, circuito dedicado) | R$ 1.900,00 | Digital consome muito mais kW que offset |
| Licenças de RIP e software de produção | R$ 1.200,00 | Contrato anual ÷ 12 ÷ nº de máquinas |
| Contrato de manutenção | R$ 2.100,00 | MENSAL, inclui peças |
| Aluguel proporcional da área | R$ 1.500,00 | Área de finishing |
| Depreciação | R$ 2.800,00 | Linear em 5 anos |
| Total | R$ 9.500,00 | |
| Horas disponíveis (20 dias × 8 h − setup e manutenção) | 128 h/ mês | |
| Hora-máquina disponível | R$ 74,22 | 9.500 ÷ 128 |
Em digital, o erro clássico é esquecer as licenças. Uma RIP de R$ 14.400 por ano em uma gráfica com 3 máquinas parece barato até virar R$ 400 por mês por máquina, e R$ 3,13 por hora de produção real.
Em finishing, a mesma lógica vale para guilhotina, laminação e encadernação: são máquinas com custo fixo relevante e poucas horas de uso, o que as torna as piores armadilhas de custo da operação. Uma guilhotina usada 40 horas por mês carrega custo fixo por um turno inteiro.
O erro das horas-padrão, em números
Suponha que a gráfica tenha 100 cortes no mês, com 80 deles levando 20 minutos e 20 deles levando 70 minutos (setup, material tricky, papel irregular). O tempo-padrão de 20 minutos assume 26,7 h de máquina no mês. O tempo real é 53,3 h, o dobro.
Se a hora-máquina foi calculada assumindo 26,7 h e o rateio de GGF usou essas mesmas horas-padrão, o custo indireto dos 20 cortes lentos fica metade do que deveria. Na prática, esses cortes aparecem como jobs "no padrão" que sempre dão prejuízo e ninguém sabe por quê.
A saída não é afinar a média com exceção, é registrar. Mede-se o início e o fim de cada item em cada etapa, separa-se o que é mão-de-obra do que é máquina por etapa, e o número real substitui a média. Para item sem tempo registrado, há uma estimativa de fallback de 0,5 h de mão de obra e 0,3 h de máquina por unidade, mas estimativa de fallback não é medição: se o seu rateio está majoritariamente em fallback, você ainda está no chute.
Como o tempo real vira taxa no GGF
O caminho completo, ponta a ponta:
- Produção registra o tempo. Cada item que entra em uma etapa fica com hora de início e hora de fim.
- A etapa define o tipo de hora. Corte e impressão contam hora de máquina; montagem e embalagem contam hora-homem; uma etapa mista conta as duas.
- O mês fecha com um total por centro de custo. Total de horas-máquina e total de horas-homem, por centro.
- O GGF é rateado sobre esses totais. Centro de máquina usa a base de horas-máquina; centro de mão de obra usa a base de horas-homem.
- O rateio volta para o item. Cada unidade do produto carrega o seu GGF unitário, somado ao custo direto no preço final.
O que o sistema faz, e o que continua sendo seu
Vale ser explícito aqui, porque este guia não é propaganda. O Cromari não tem cadastro de ativos, controle de depreciação nem cadastro de custo de hora-máquina por equipamento. Se sua gráfica precisa de um inventário de máquinas com depreciação contábil, isso continua em outro lugar.
O que o sistema faz é a parte que mais importa para a precisão: registrar o tempo real de produção por etapa, separar mão de obra de máquina, totalizar por centro de custo, ratear o GGF sobre essas horas e devolver o GGF unitário por item, com o preço final já somado. A hora que alimenta esse rateio é medida, não presumida. Veja os detalhes em GGF (Gastos Gerais de Fabricação) e confira o fluxo de ponta a ponta no ERP para gráficas.
Ou seja: a conta de custo fixo da máquina é sua, mas o divisor é um dado real em vez de uma média que ninguém questiona. Em troca você também ganha o lead time real por etapa, que é o mesmo dado visto de outro ângulo.
Calcule a sua hora-máquina agora
Use a calculadora gratuita de hora-máquina: informe valor da máquina, vida útil, manutenção, energia, operador e horas produtivas, e veja o custo por hora com cada parcela separada.
Perguntas que sempre aparecem
A hora-máquina é o mesmo para corte e para impressão?
Geralmente não. A máquina de corte tem um custo fixo menor e um consumo de energia menor, mas um custo de manutenção alto por hora de uso (ferramenta, faca, rolamento). A offset tem custo fixo alto e depreciação pesada, mas opera muitas horas por job. Calcule uma taxa por máquina, ou por classe de máquina, a partir dos custos fixos que lhe são atribuíveis.
Devo dividir por horas disponíveis ou por horas consumidas?
Para precificar, use horas consumidas: é a hora que o cliente realmente ocupa a máquina. Use horas disponíveis para medir a eficiência e para ratear despesa fixa quando a base do rateio é tempo de produção, porque a despesa existe se a máquina está ligada ou parada no turno. Ter as duas visíveis é o que permite ver o idle.
Como classifico depreciação em uma gráfica pequena?
Como despesa indireta, alocada no centro de custo da máquina. Depreciação é o custo de consumir o capital da máquina ao longo da vida útil, não uma despesa do mês em que a máquina foi comprada. Em uma gráfica que não tem controle de ativos, o mais honesto é estimar uma depreciação mensal linear e mantê-la visível na lista de custo fixo da máquina, mesmo que o registro formal fique no bookkeeping.
E a energia: rateio por kWh ou por hora?
Se você tem medidor por circuito, use kWh, é o dado real. Se não tem, estime o consumo nominal da máquina em kW pela potência do motor, multiplique pelas horas de operação e depois rateie por hora-valor. O erro comum é dividir a conta de luz inteira da fábrica pelas horas de uma máquina só.
O sistema calcula a hora-máquina para mim?
O que o sistema faz é medir: ele registra o tempo real que cada item passou em cada etapa e separa o que é mão de obra do que é máquina, conforme a etapa. Com esse total de horas-máquina consumido no mês, o GGF é rateado por essa base e volta para o item como custo indireto unitário. A conta de custo fixo de máquina (aluguel proporcional, depreciação, manutenção) continua sendo sua: o sistema usa a hora medida, não decide o quanto custa a máquina.
Troque a hora-padrão pela hora medida
No Cromari, cada item de produção acumula o tempo real em cada etapa, com a separação entre mão de obra e máquina. O GGF é rateado sobre essas horas e volta para o item como custo unitário, o que torna o preço da hora-máquina defensável perante o cliente e auditável perante o contador.
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