Produção e precificação

Perda técnica na gráfica: como medir e colocar no preço

Perda técnica é o material que a máquina consome e o cliente não recebe. Neste artigo: quais são as três parcelas, como medir cada máquina sem chute, a conta na ordem certa e o que muda no preço de venda.

Publicado em 30 de setembro de 2026•Atualizado em 30 de setembro de 2026•Leitura: 9 min•Equipe Cromari

Resposta curta: a perda técnica se mede por máquina, com três números: folhas de acerto, folhas de lavagem e perda percentual da tiragem. A tiragem é a quantidade pedida dividida por (1 menos a perda percentual), arredondada para cima. O consumo total é a tiragem mais o acerto e a lavagem. O custo que vai para o preço é o consumo inteiro vezes o custo do material dividido pela quantidade que o cliente recebe.

O erro clássico é tratar a perda como um percentual de desconto e somar por cima da tiragem. Os dois lados estão errados: a perda não é proporcional em cima, é proporcional embaixo (1.000 ÷ 0,95, e não 1.000 × 1,05), e o acerto não é proporcional, porque a máquina come as mesmas 12 folhas se o pedido é de 100 ou de 100.000.

As três parcelas que formam a perda técnica

As parcelas da perda técnica e como cada uma se comporta
ParcelaO que é na práticaComportamento na conta
Acerto (folhas de preparação)Folhas que a máquina come entre um job e outro: folha de registro, primeira impressão, prova de cor.Entra uma vez por job, e não por unidade. Pedir 100 ou 10.000 custa as mesmas folhas.
Lavagem (troca de job)Folhas gastas limpando rolo, tinta e resíduo de cor quando você troca de cor, de gramatura ou de material.Também entra uma vez por job. Em impressão digital e em soloprint, ela entra como consumo de tinta e solvente, e não como folha.
Perda percentual da tiragemQuebras, boqueiras, manchas, papel fora de esquadro, erro de operador no meio da tiragem.É a única das três que dilui com a quantidade. Precisa ser medida por máquina, não chutada por toda a fábrica.

Essa separação é o que permite medir. Acerto e lavagem você conta no chão de fábrica: são folhas físicas, contadas ou pesadas. A perda percentual você obtém comparando o consumo real com a entrega, em um intervalo de jobs, não em um job. Misturar as três em um número só, chamado de "perda da gráfica", esconde exatamente o dado que você precisa para corrigir.

A conta na ordem certa

tiragem = arredondar para cima ( quantidade pedida ÷ (1 − perda% ÷ 100) )

consumo = tiragem + folhas de acerto + folhas de lavagem

custo por unidade entregue = ( consumo × custo do material ) ÷ quantidade entregue

A ordem importa em dois pontos. Primeiro, a perda percentual incide sobre a tiragem, então a divisão vem antes da soma dos fixos. Segundo, folha é contável: arredondar para baixo faria a conta "chegar" no número pedido consumindo material que não existe.

Por que dividir antes de somar (1.000 unidades, 5% de perda)
VersãoContaFolhasO que acontece
Errado: 1.000 + 5% de perda1.000 × 1,051.050Perde para a conta: com 5% de perda você precisa de 5,3% a mais de tiragem, não de 5%.
Certo: 1.000 ÷ 0,951.000 ÷ (1 − 5/100)1.053A perda é percentual do que você imprime, não do que o cliente leva. E folha é inteira: arredonda para cima.

São três folhas em mil, o que parece pouco. Em um mês com dez jobs de 5.000 exemplares, a conta errada dá 5.250 folhas por job e a conta certa dá 5.264: 140 folhas de papel a mais que ninguém orçou. O divisor é o número que vale conferir no chão.

Exemplo completo: 1.000 cartões em offset 4 cores

Máquina com 12 folhas de acerto, 3 folhas de lavagem e 3% de perda na tiragem. Papel a R$ 0,85 a folha. O mesmo cálculo serve para qualquer unidade: troque "cartão" por chapa, por metro de vinco ou por exemplar, e mantenha a mesma ordem.

Do pedido à perda, número a número (exemplo de offset 4 cores)
PassoResultadoComo chegou lá
Quantidade pedida pelo cliente1.000 cartõesO que entra no orçamento
Perda percentual cadastrada na máquina3%Medida no chão de fábrica, não de tabela de terceiros
Tiragem a imprimir (1.000 ÷ 0,97)1.031 folhas1.000 ÷ 0,97 = 1.030,93, arredondado para cima porque folha não se divide
Folhas de acerto12Somadas uma vez só, no fim
Folhas de lavagem3Somadas uma vez só, no fim
Consumo total da máquina1.046 folhas1.031 + 12 + 3
Folhas que viram perda461.046 consumidas menos 1.000 entregues
Custo da perdaR$ 39,1046 folhas × R$ 0,85 por folha
Custo do material por cartão entregueR$ 0,88911.046 × R$ 0,85 ÷ 1.000
Perda efetiva do job4,40%46 ÷ 1.046, acima dos 3% cadastrados porque o acerto entra na conta

O material bruto sairia por R$ 850,00 (1.000 × R$ 0,85). Com perda técnica, sai por R$ 889,10: R$ 39,10 a mais por job, ou 4,60% de material que não vira produto. Se o preço foi calculado com R$ 0,85 de material, cada job de mil cartões sai R$ 39,10 mais caro antes do GGF e da margem. Com dez jobs iguais no mês, são R$ 391,00 que não aparecem em nenhum extrato.

Repare também que a perda efetiva ficou em 4,40%, e não nos 3% cadastrados. Isso não é erro: é o acerto e a lavagem entrando na conta. Quem cadastra 3% e depois espera ver 3% no relatório vai achar que o cadastro está errado quando o número real for maior.

O job curto paga a perda duas vezes

Com o mesmo cadastro (12 de acerto, 3 de lavagem, 3% de perda) e o mesmo papel, a perda efetiva muda conforme a quantidade. O percentual da tiragem dilui; os fixos, não.

Mesma máquina, três tiragens (exemplo)
PedidoTiragemConsumoFolhas de perdaCusto por unidadePerda efetiva
200 cartões20722222R$ 0,94359,91%
1.000 cartões1.0311.04646R$ 0,88914,40%
10.000 cartões10.31010.325325R$ 0,87763,15%

O material de um cartão em 200 unidades custa R$ 0,9435, contra R$ 0,8776 em 10.000: 7% mais caro no job curto. É por isso que os preços de tiragem curta costumam ficar abaixo do custo. Se você não inclui a perda técnica no preço, o desconto comercial do cliente come exatamente a margem que a máquina já estava tirando.

Para um job de 200 unidades, a saída prática não é inflar margem: é agrupar jobs da mesma máquina no mesmo dia, porque o acerto é por job. Com a mesma conta, dois jobs de 200 somados custam 15 folhas de acerto em vez de 30.

Como medir sem chute

  1. Meça uma máquina por vez, com material conhecido. Roda um job de tamanho conhecido com uma gramatura que você domina e conte o material que entrou e o que saiu. O que não volta para o cliente é perda.
  2. Separe acerto e lavagem do resto. Conte as folhas de preparação e as de troca de job separadamente. Se você misturar tudo em um percentual, não consegue corrigir nem comparar máquinas.
  3. Feche em janela, não em job. Meça a perda percentual em dez ou vinte jobs seguidos, na mesma máquina e na mesma gramatura. Uma folha de papel fora de esquadro é ruído; o percentual de um job só é sorteio.
  4. Cadastre e reavalie por mudança de material. Papel mais leve suja menos e rasga menos; tinta de alto cobertura limpa mais. O parâmetro de 4 cores não vale para a máquina de 1 cor com a mesma tiragem.
  5. Confira isso contra a conta de material. Se o consumo mensal do estoque não bate com o consumo previsto somando os jobs, ou a perda real é outra coisa, ou alguém está usando material fora do orçamento. A perda técnica registrada é o detector mais barato disso.

Quatro erros comuns

Um número único para toda a fábrica

Erro: Usar 5% em toda parte, da offset 4 cores ao laser de recorte, como se as duas máquinas tivessem o mesmo desempenho.

Correção: Cadastre o parâmetro por equipamento. Uma offset com tinta de alto cobertura diverge de um laser de recorte na mesma gramatura; o mesmo número nas duas transfere o erro da máquina que perde mais para a que perde menos.

Somar o percentual em vez de dividir

Erro: Multiplicar a tiragem por (1 + perda) e chamar o resultado de tiragem ajustada.

Correção: Dividir por (1 menos a perda). Em 1.000 folhas, 5% de perda pede 1.053, e não 1.050: as 3 folhas de diferença em 1.000 virarão diferença de margem em todo pedido grande.

Esquecer o acerto no job curto

Erro: Calcular a perda percentual de um pedido de 200 peças e esquecer que as 15 folhas de acerto e lavagem entram do mesmo jeito.

Correção: Some os fixos sempre. No exemplo acima, os 3% viram 9,91% de perda efetiva em 200 peças, porque 15 folhas é muito em tiragem curta.

Perder o número depois do orçamento aprovado

Erro: Deixar a perda técnica como cálculo na planilha e recalcular à mão quando o papel muda.

Correção: Congele o resultado do cálculo na linha do orçamento. O cliente aprovou um número; esse número não pode virar outro porque o cadastro da máquina foi editado depois.

Como o Cromari trata a perda técnica

A perda técnica é parâmetro de máquina, então o cadastro fica no módulo de produção, que é onde a folha de acerto é medida. Cada equipamento tem nome, código, folhas de acerto, folhas de lavagem, perda percentual, situação ativa e observações. Equipamento desativado continua no histórico e apenas deixa de aparecer na listagem de equipamentos ativos, sem apagar o que já foi orçado.

  • No orçamento: quem escolhe o equipamento é o servidor. Ele resolve o cadastro, calcula a perda e grava o retrato na linha do item: quantas folhas foram para perda e quanto custou. Valor enviado pelo cliente não entra na conta, e item com referência inválida é recusado inteiro, sem gravar metade.
  • Na ordem de produção: a mesma perda vai para o item da OS, já calculada. O chão de fábrica sabe quanto material foi para perda antes de conferir a tiragem entregue, sem recalcular nada.
  • No cálculo de preço: a unidade passa a custar o material consumido, e não o material da quantidade entregue. A resposta traz o detalhamento da conta: quantidade líquida, tiragem, consumo total, folhas de perda, percentual cadastrado, percentual efetivo, custo da perda e custo efetivo por unidade.
  • Trava do cadastro: a perda percentual tem de estar entre 0 e 100 (menor que 100, porque é divisor), e as folhas de acerto e lavagem são inteiras e não negativas. Código de equipamento é único por empresa.

O ponto que mais importa na hora de revisar um número: o cálculo é feito uma vez, na criação do orçamento, e o resultado fica gravado na linha. Se alguém corrigir a perda percentual de uma máquina no mês que vem, o orçamento que o cliente já aprovou continua com o número antigo. Para cálculo de preço, veja também como calcular o custo da hora-máquina, que entra na mesma linha de custo antes do GGF.

Checklist para colocar no orçamento

  1. Liste as máquinas da fábrica e meça cada uma por material e gramatura.
  2. Cadastre acerto, lavagem e perda percentual por equipamento.
  3. Escolha o equipamento no item do orçamento e confira o consumo e a perda gerados.
  4. Compare o custo efetivo por unidade com o preço de venda antes de enviar.
  5. Acompanhe a perda efetiva reportada e ajuste o parâmetro quando ela divergir do cadastro.
  6. Agrupe jobs curtos da mesma máquina para diluir o acerto.
  7. Revise os parâmetros a cada trimestre e sempre que trocar o material.

Se a sua gráfica ainda monta esse cálculo em planilha, o cálculo de GGF e a montagem do orçamento herdam o mesmo problema: número que cada pessoa recalcula do jeito dela.

Perguntas que sempre aparecem

O que é perda técnica em uma gráfica?

É todo material que a máquina consome e que o cliente não recebe. Tem duas origens: o consumo fixo do job, que são as folhas de acerto e de lavagem, e a perda percentual da tiragem, que são quebras, manchas e papel fora de esquadro. No exemplo deste artigo, uma offset 4 cores com 12 folhas de acerto, 3 de lavagem e 3% de perda consome 1.046 folhas para entregar 1.000 cartões: 46 folhas de perda, que a R$ 0,85 por folha dão R$ 39,10 por job.

Como calcular a perda técnica por máquina?

Divida a quantidade pedida por (1 menos a perda percentual), arredonde a tiragem para cima porque folha é inteira, e depois some as folhas de acerto e de lavagem uma vez só. A perda em folhas é o consumo total menos a quantidade entregue, e o custo da perda é essa quantidade de folhas multiplicada pelo custo do material. A perda percentual que vale é a do consumo total, não a da tiragem, porque o acerto também é perda.

Por que 5% de perda não significa 5% a mais de tiragem?

Porque o percentual incide sobre o que a máquina imprime, não sobre o que o cliente leva. Para entregar 1.000 boas com 5% de perda você precisa imprimir 1.000 ÷ 0,95, que dá 1.052,63 e arredonda para 1.053. Somar 5% (1.050) deixa a conta curta, e a diferença aparece como margem perdida em pedidos grandes, onde 3 folhas viram dinheiro.

A perda técnica é a mesma para toda tiragem?

Não. O percentual da tiragem dilui com a quantidade, mas o acerto e a lavagem são fixos por job e não dilat. Com 12 folhas de acerto e 3 de lavagem a 3% de perda, a perda efetiva é 9,91% em 200 peças, 4,40% em 1.000 e 3,15% em 10.000. Por isso o job pequeno é o que mais sofre com esse erro de precificação.

Onde cadastrar a perda técnica no Cromari?

No módulo de produção, em um cadastro de perda técnica por equipamento, com nome, código, folhas de acerto, folhas de lavagem, perda percentual e notas. Cada equipamento tem os três parâmetros próprios. Ao escolher o equipamento em um item de orçamento, o servidor resolve o cadastro, calcula e grava o retrato do cálculo na linha: quantas folhas foram para perda e quanto isso custou. A ordem de produção carrega esse mesmo retrato, então o chão de fábrica sabe quanto material foi para perda antes de conferir a tiragem entregue.

Perda técnica entra no GGF ou no custo do produto?

Entra no custo da matéria prima da unidade entregue, antes do GGF. O GGF rateia custo fixo de fábrica (aluguel, energia, supervisão) por base de produção; a perda técnica é material que você já comprou e que não vira produto, então ela aumenta o custo unitário diretamente. A ordem importa: primeiro a perda entra no custo do material, depois o GGF é rateado sobre o custo, e só então a margem é aplicada. Inverter essa ordem subestima o preço de venda.

Coloque a perda técnica no preço de verdade

No Cromari, a perda técnica é cadastrada por equipamento, entra no custo de cada item do orçamento, viaja para a ordem de produção e aparece no cálculo de preço com o detalhamento da conta. Você para de descobrir a margem depois que a gráfica já rodou.

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