Guia de consulta

Glossário da gráfica: 40 termos que todo dono precisa saber

40 termos que aparecem no orçamento, na arte, na máquina e na ordem de serviço. Cada um tem uma definição curta, um exemplo em reais quando ajuda e o caminho para aprofundar.

Publicado em 01 de outubro de 2026•Atualizado em 01 de outubro de 2026•Leitura: 12 min•Equipe Cromari

Quando o fornecedor fala em acerto, o cliente em sangria e o contador em GGF, você precisa traduzir os três em uma única conta: quanto custa o job e quanto sobra. Este glossário junta o vocabulário de custos, arte, impressão e gestão em um só lugar, com a definição direta no começo de cada termo.

Use como consulta rápida: vá direto ao termo pelo índice abaixo. Quando um termo tiver conta, ela vem em reais, para você substituir pelos números da sua gráfica.

Custos e preço

Os termos que decidem se o job dá lucro ou prejuízo. Se você domina estes doze, entende para onde vai o dinheiro de cada pedido.

GGF (Gastos Gerais de Fabricação)

Custos da fábrica que não pertencem a um job específico, como aluguel, energia, manutenção e supervisão. Entram no preço por rateio.

Exemplo: GGF de R$ 20.000 por mês em 400 horas produtivas: cada hora carrega R$ 50,00 de GGF.

Veja também: GGF na prática

Hora-máquina

Quanto custa deixar uma máquina ligada por uma hora produtiva: depreciação, manutenção, energia e operador, divididos pelas horas realmente trabalhadas.

Exemplo: R$ 12.000 de custo mensal da máquina em 150 horas produtivas: R$ 80,00 por hora.

Veja também: Como calcular a hora-máquina

Custo direto

Custo que você consegue apontar para um job: papel, tinta, chapa, acabamento terceirizado e o tempo da máquina usada.

Veja também: Erros de precificação que matam a margem

Custo indireto

Custo que sustenta a operação, mas não pode ser apontado para um único job. Na fábrica, ele aparece como GGF.

Veja também: GGF na prática

Custo fixo

Custo que existe mesmo sem produzir: aluguel, salários da equipe fixa, seguro. Não muda com a tiragem.

Veja também: Como calcular o GGF

Custo variável

Custo que cresce junto com a produção: papel, tinta, energia da máquina em uso, frete do pedido.

Veja também: Margem de contribuição na gráfica

Centro de custo

Setor ou máquina a que você atribui custos para saber quanto cada parte da gráfica consome: pré-impressão, offset, digital, acabamento.

Veja também: Como calcular o GGF

Base de rateio

O critério usado para dividir o GGF entre os produtos ou centros de custo, como horas-máquina, área impressa ou número de jobs.

Exemplo: Rateio por hora-máquina: um job de 3 horas recebe 3 × R$ 50,00 = R$ 150,00 de GGF.

Veja também: Como calcular o GGF

Markup

Percentual somado ao custo para chegar ao preço de venda. Não é margem: markup de 100% dá margem de 50%.

Exemplo: Custo de R$ 100,00 com markup de 100% vira preço de R$ 200,00, e o lucro bruto é metade do preço.

Veja também: Margem de contribuição na gráfica

Margem de contribuição

O que sobra do preço depois de tirar os custos variáveis. É o dinheiro que paga os custos fixos e, depois, vira lucro.

Exemplo: Preço de R$ 1.000,00 e custos variáveis de R$ 600,00: margem de contribuição de R$ 400,00, ou 40%.

Veja também: Margem de contribuição na gráfica

Margem de lucro

Lucro dividido pelo preço de venda, depois de pagar todos os custos, inclusive o GGF. É o número que mostra se a gráfica realmente ganha dinheiro.

Veja também: Erros de precificação que matam a margem

Ponto de equilíbrio

Faturamento mínimo para pagar todos os custos, sem lucro e sem prejuízo. Conta: custos fixos divididos pela margem de contribuição em percentual.

Exemplo: Custos fixos de R$ 30.000 e margem de contribuição de 40%: equilíbrio em R$ 75.000 de faturamento por mês.

Veja também: Margem de contribuição na gráfica

Arte e pré-impressão

Os termos que o cliente manda errado e você precisa corrigir antes de rodar. Entender cada um evita arquivo devolvido e chapa jogada fora.

CMYK

Sistema de cores da impressão, formado por ciano, magenta, amarelo e preto (o K vem de key). Misturadas, as quatro tintas formam as demais cores.

Veja também: ERP para gráfica

RGB

Sistema de cores de telas: vermelho, verde e azul. Arquivo em RGB muda de tom ao ser convertido para CMYK, e o cliente estranha o resultado.

Pantone

Catálogo de cores sólidas com tinta própria, usado quando a cor da marca não pode variar. Custa mais porque pede uma tinta a mais no job.

Sangria

Margem extra de arte que ultrapassa o tamanho final e é cortada no acabamento. Evita fio branco na borda quando o corte desvia.

Exemplo: Cartão de 90 × 50 mm com sangria de 3 mm por lado: o arquivo precisa ter 96 × 56 mm.

Resolução (dpi)

Quantidade de pontos por polegada de uma imagem. Para impressão, o padrão é 300 dpi no tamanho final. Imagem de site, com 72 dpi, sai serrilhada.

PDF/X

Tipo de PDF feito para impressão: fontes embutidas, cores definidas e sem transparência problemática. É o arquivo fechado que reduz erro na chapa.

Imposição

Arranjo das páginas ou peças na folha de impressão para aproveitar o papel e facilitar o corte e a dobra.

Exemplo: Em uma folha SRA3 (320 × 450 mm) cabem 20 cartões de 90 × 50 mm com sangria, sobrando espaço para pinça e marcas de corte.

Veja também: Perda técnica: como medir e colocar no preço

Prova de cor

Amostra impressa que mostra como a cor vai sair antes de rodar a tiragem. Consome material e deve entrar no custo do job.

Veja também: Perda técnica: como medir e colocar no preço

Chapa

Placa de metal gravada com a imagem que o offset transfere ao papel. Cada cor do job usa uma chapa, então um job em 4 cores gasta 4 chapas por lado.

Formato aberto e fechado

Formato fechado é o tamanho final do produto dobrado. Formato aberto é o tamanho da peça antes de dobrar, que define o papel e a imposição.

Exemplo: Folder com 3 dobras de 10 × 21 cm fechado: aberto, tem 40 × 21 cm.

Impressão e acabamento

Os termos do chão de fábrica. É aqui que o papel vira material perdido e a hora da máquina vira custo.

Tiragem

Quantidade de exemplares que o cliente pede para imprimir. A quantidade a rodar é maior, porque inclui a perda técnica.

Exemplo: Pedido de 1.000 cartões com 3% de perda: a máquina roda 1.031 folhas, sem contar o acerto.

Veja também: Perda técnica: como medir e colocar no preço

Acerto

Folhas de preparação que a máquina consome antes de a impressão sair boa: registro, primeira prova e ajuste de cor. Entra uma vez por job.

Exemplo: 12 folhas de acerto a R$ 0,85 a folha: R$ 10,20 por job, seja para 100 ou para 10.000 exemplares.

Veja também: Perda técnica: como medir e colocar no preço

Perda técnica

Material que a máquina consome e o cliente não recebe: acerto, lavagem e quebra durante a tiragem. Precisa estar no preço, ou a margem paga a conta.

Exemplo: Com 12 folhas de acerto, 3 de lavagem e 3% de perda, 1.000 cartões consomem 1.046 folhas: 4,60% a mais de material.

Veja também: Perda técnica: como medir e colocar no preço

Offset

Impressão por chapas e tinta, indicada para tiragens médias e longas. Tem custo de preparação alto e custo por unidade baixo.

Impressão digital

Impressão sem chapa, direto do arquivo para o papel. Indicada para tiragens curtas e dados variáveis, com preparação rápida.

Gramatura

Peso do papel em gramas por metro quadrado (g/m²). Quanto maior, mais grosso e mais caro. Define a escolha entre folheto, cartão e capa.

Exemplo: Papel de 90 g/m² para folheto interno, 300 g/m² para cartão de visita.

Vinco

Marca feita no papel para ele dobrar sem rachar a tinta. Necessário em gramaturas altas, como cartão e capas.

Refile

Corte das sobras e das marcas de impressão para chegar ao formato final do produto.

Laminação

Película fosca ou brilhante aplicada sobre o impresso para proteger e dar acabamento. Cobra-se por área, e o custo precisa entrar no orçamento.

Verniz UV

Camada de verniz curada por luz ultravioleta que dá brilho e proteção. Pode ser total ou localizado, só em partes da arte.

Gestão da produção

Os termos que organizam o pedido do orçamento até a entrega. É onde o prazo se perde, mesmo com preço certo.

OS (ordem de serviço)

Documento que leva o pedido aprovado para a produção, com produto, quantidade, material, prazo e etapas. Sem OS clara, o chão de fábrica adivinha.

Veja também: O fluxo de trabalho da gráfica

PCP (planejamento e controle da produção)

Rotina que decide o que roda em qual máquina e em que ordem, para cumprir prazo sem deixar máquina parada.

Veja também: O fluxo de trabalho da gráfica

Lead time

Tempo total entre o pedido aprovado e o produto entregue. Inclui fila de espera, que costuma ser maior que o tempo de máquina.

Veja também: O fluxo de trabalho da gráfica

Retrabalho

Job refeito por erro de arte, de produção ou de acabamento. Custa material, hora-máquina e prazo, e raramente aparece no orçamento.

Veja também: O fluxo de trabalho da gráfica

Orçamento

Proposta de preço montada a partir do custo do material, da hora-máquina, do GGF e da margem. Orçamento no chute esconde prejuízo.

Veja também: Orçamentos para gráfica

Aprovação de arte

Confirmação do cliente de que a arte final está certa antes de ir para a máquina. É a etapa que mais gera retrabalho quando acontece depois do início.

Veja também: O fluxo de trabalho da gráfica

Expedição

Etapa final: conferir quantidade, embalar, emitir a documentação e entregar ou despachar o pedido.

Veja também: O fluxo de trabalho da gráfica

Estoque mínimo

Quantidade de papel e insumo abaixo da qual você precisa comprar de novo. Evita parar uma máquina por falta de material.

Veja também: ERP para gráfica

Os termos juntos em um job de 1.000 cartões

Os termos fazem sentido quando aparecem na mesma conta. Veja como eles se encadeiam em um pedido simples de cartão de visita em offset.

Do arquivo ao custo, termo por termo (exemplo)
TermoDado do jobResultado
Formato fechado e sangriaCartão de 90 × 50 mm, sangria de 3 mm por ladoArquivo de 96 × 56 mm
Tiragem e perda técnica1.000 cartões, 3% de perda, 12 folhas de acerto, 3 de lavagem (uma folha por cartão, como no guia de perda técnica)Tiragem de 1.031 e consumo de 1.046 folhas, 4,60% a mais que o pedido
MaterialPapel a R$ 0,85 a folhaR$ 889,10 de material, não R$ 850,00
Hora-máquina e GGFR$ 80,00 por hora de máquina e R$ 50,00 por hora de GGFR$ 130,00 por hora produtiva antes da margem

Repare no que a conta do papel mostra: o pedido é de 1.000 cartões, mas a máquina consome 1.046 folhas, e o preço só fica certo se você orçar sobre o consumo. O mesmo vale para as horas: R$ 130,00 por hora produtiva é o piso antes de somar a margem. Se você orçou a R$ 80,00 e esqueceu o GGF, perde R$ 50,00 por hora rodada.

Quatro confusões que custam dinheiro

Confundir markup com margem

Erro: Aplicar 30% de markup e achar que a margem é de 30%. A margem real é de 23,1%, porque o percentual incide sobre o custo e não sobre o preço.

Correção: Defina primeiro a margem que você quer sobre o preço de venda, e só depois calcule o markup que a entrega.

Esquecer o acerto no job curto

Erro: Orçar 200 cartões olhando só o papel da tiragem. O acerto é fixo por job, então pesa mais quanto menor o pedido.

Correção: Some as folhas de acerto e lavagem ao consumo antes de dividir por unidade.

Tratar o GGF como sobra

Erro: Deixar aluguel, energia e supervisão fora do preço e torcer para a margem pagar. Depois de um mês, o caixa mostra o buraco.

Correção: Escolha uma base de rateio, como a hora-máquina, e inclua o GGF em todo orçamento.

Aceitar arquivo sem sangria

Erro: Rodar a arte do cliente sem conferir. O corte desvia 1 mm e aparece fio branco na borda, e o job vira retrabalho.

Correção: Confira a sangria e a resolução na entrada do arquivo, antes de imprimir uma folha.

Onde o Cromari entra nesses termos

Saber o vocabulário é o primeiro passo. O segundo é parar de refazer a conta toda vez que um pedido chega. No Cromari, três desses termos já viram parte do preço:

  • GGF: você cadastra os gastos, escolhe a base de rateio e o custo indireto entra no preço do produto de forma automática. Detalhes em GGF na prática.
  • Perda técnica e acerto: são cadastrados por equipamento e entram no custo de cada item do orçamento, com o detalhamento da conta.
  • Orçamento e ordem de produção: a perda calculada no item segue para a ordem de produção. Veja a página de orçamentos para gráfica e o ERP para gráfica.

Como usar o glossário na sua gráfica

  1. Imprima os termos de custos e deixe ao lado de quem faz orçamento.
  2. Passe a lista de arte e pré-impressão para quem recebe arquivo de cliente.
  3. Confira com o time se todos usam OS, acerto e perda técnica com o mesmo significado.
  4. Recalcule hora-máquina e GGF com os números do último trimestre.
  5. Rode um orçamento de teste com cada termo e compare com o preço que você cobra hoje.

Troque a conta de cabeça por um orçamento que já considera tudo isso

No Cromari, o GGF entra no preço do produto de forma automática, a perda técnica sai do cadastro da máquina e a perda segue para a ordem de produção. Você testa com os números da sua gráfica antes de decidir.

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