Gestão de custos

O que é GGF e como calcular os gastos gerais de fabricação na sua gráfica

GGF é tudo o que a fábrica gasta para existir e que não dá para apontar para um cliente: aluguel, energia, depreciação, supervisão. Ratear é a única forma de saber quanto de cada uma dessas despesas pertence a cada produto, e é por onde a margem costuma reaparecer.

Publicado em 26 de setembro de 2026•Atualizado em 26 de setembro de 2026•Leitura: 8 min•Equipe Cromari

Resposta curta: GGF (Gastos Gerais de Fabricação) é o conjunto de despesas indiretas da operação, as que continuam existindo mesmo se você parasse de produzir um único job. Para calcular o GGF de um produto, use GGF unitário = GGF total do período × (base consumida pelo produto ÷ base total do período), onde a base é horas-homem, horas-máquina, valor de produção, quantidade produzida ou um percentual que você mesmo define.

O mecanismo é o rateio: primeiro você agrupa as despesas indiretas do mês por centro de custo, depois escolhe para cada centro qual base representa o recurso que ele realmente consome, e por fim divide. O resultado é o custo indireto que cada unidade de produto carrega, e é esse número que precisa estar dentro do preço, antes da margem. Sem esse passo, a empresa vende todo dia e continua no prejuízo, porque a despesa de energia de julho nunca entra no orçamento de nenhum cliente de agosto.

A fórmula em uma linha

GGF do item = Σ (despesas dos centros de custo) × (base do item ÷ base total dos centros)

E, para chegar no preço: preço final = custo direto unitário + GGF unitário. A margem entra só depois desse ponto.

Os 4 passos do cálculo

  1. Some as despesas indiretas do período fechado. Aluguel, energia, água, depreciação, manutenção, supervisão, materiais indiretos, administrativo. Não misture aqui materia-prima: isso é custo direto e já entra por outro caminho.
  2. Agrupe as despesas por centro de custo. Offset, corte, finishing, pré-impressão, expedição, administrativo. É essa separação que impede que a energia do finishing seja rateada para o design.
  3. Escolha a base de rateio de cada centro. A base precisa representar o recurso que o centro consome, e é medida, não estimada, sempre que possível.
  4. Divida e leve para o preço. Some o GGF rateado de todos os centros que aquele item usa, divida pela quantidade e some ao custo direto unitário. O preço final é esse número mais a margem. Para ver a formulação detalhada com simulações adicionais, consulte nossa página de gastos gerais de fabricação (GGF) e veja como o fluxo se integra ao ERP para gráficas.

As 5 bases de rateio, comparadas

Comparação das bases de alocação de GGF
BaseComo funcionaQuando usarRisco de distorção
Horas-homemDistribui o GGF pelo total de horas de mão de obra registradas na produção.Centro onde o gargalo é gente: equipe de produção grande, pouca automação.Se os logs de tempo estiverem incompletos, o rateio fica subestimado.
Horas-máquinaDistribui pelo total de horas de máquina registradas na produção.Offset, corte, vinco e finishing: o recurso caro é a máquina.Exige tempo real por etapa. Sem log, o resultado vira chute.
Valor de produçãoDistribui proporcionalmente ao valor de produção de cada item.Itens com margens muito diferentes entre si.Alimenta o efeito de valores: um item premium paga GGF desproporcional.
Quantidade produzidaDistribui pelo número de unidades produzidas no período.Produtos padronizados, com preço e processo comparáveis.Ignora completamente peças caras e pequenas em favor de peças baratas e muitas.
Percentual manualVocê mesmo define o percentual que cada centro recebe do GGF do mês.Sem histórico de produção confiável, ou para ajustar o método ao realizado.Deixa o rateio na opinião de quem preencheu: audite sempre.

A base errada não gera erro visível: ela só empurra custo de um produto para o outro. Por isso o critério não é "qual é mais fácil de calcular", e sim "qual base acompanha o recurso caro deste centro".

3 exemplos numéricos

Exemplo A: horas-máquina no corte offset

GGF do mês do centro de corte: R$ 28.000,00. Horas-máquina registradas no mês: 1.400 h. O job consumiu 18 h de corte.

28.000 × (18 ÷ 1.400) = R$ 360,00 de GGF no job

Se o job é de 2.000 unidades, o GGF unitário é R$ 0,18 por peça, e é exatamente o que faltava no preço.

Exemplo B: valor de produção no pré-impressão

GGF do centro: R$ 12.000,00. Valor de produção do centro no mês: R$ 210.000,00. O job representa R$ 9.800,00 de produção.

12.000 × (9.800 ÷ 210.000) = R$ 560,00 de GGF no job

Atenção ao efeito de valores: um job de R$ 60 mil paga proporcionalmente mais de GGF que um job de R$ 600 com a mesma quantidade de horas de pré-impressão. Aqui a base está medindo faturamento, não consumo de recurso.

Exemplo C: quantidade produzida e o caso do percentual manual

Centro com GGF de R$ 20.000,00 e 52.000 unidades produzidas no mês. O job tem 1.200 unidades.

20.000 × (1.200 ÷ 52.000) = R$ 461,54 de GGF no job

Já no percentual manual, com 12% definido para o centro: 20.000 × 12% = R$ 2.400,00, um valor 5 vezes maior, sem nenhuma mudança na operação. É a prova de que base de rateio é decisão, não constatação.

Nota de honestidade: base por quantidade favorece peças pequenas e numerosas e pune peças grandes e caras. Em gráficas com mix amplo, isso distorce.

De onde vêm as horas de verdade

Ratear por hora exige hora medida. A forma confiável de medir é o tempo real de permanência de cada item em cada etapa de produção: o operador marca início e fim, e o sistema separa o que é mão de obra do que é máquina conforme a etapa. Uma etapa de corte conta hora de máquina; uma etapa de montagem manual conta hora-homem; uma etapa de revisão pode contar as duas.

Quando o item ainda não tem tempo registrado, existe uma estimativa de fallback, cerca de 0,5 h de mão de obra e 0,3 h de máquina por unidade, que serve para não travar o cálculo, mas não substitui medição. Monitore quanto do seu rateio ainda vem de estimativa: se esse número é alto, seu GGF é uma opinião, não uma medição.

Onde o tempo de produção é registrado, passo a passo →

5 erros que estragam o rateio

  • Ratear o GGF inteiro por um centro só. Se a gráfica tem mais de um processo, isso transfere custo entre centros sem critério.
  • Usar base de horas para despesa que não é hora. Aluguel não se mede em horas; ratear aluguel por hora de máquina é arbitrário.
  • Tratar o fallback de horas como medição. Estimativa de 0,3 h por unidade não é dado de processo.
  • Mudar de base todo mês sem registrar. A série histórica de GGF unitário fica incomparável e você perde a capacidade de ver tendência.
  • Calcular GGF e não levar ao preço. O exercício não muda nada se o número não entra no orçamento. Veja como estruturar o rateio na prática na página de GGF (Gastos Gerais de Fabricação) e automatizar a esteira no ERP para gráficas.

Calcule o GGF por hora da sua gráfica agora

Use a calculadora gratuita de GGF: informe aluguel, energia, salários indiretos, depreciação, outros custos fixos e horas produtivas, e veja o GGF por hora e quanto ele soma num orçamento.

Perguntas que sempre aparecem

O que entra no GGF de uma gráfica?

Despesas que a operação consome mas que não ficam atribuídas a um job específico: aluguel e condomínio da fábrica, energia elétrica, água, depreciação de equipamentos, manutenção, supervisão, materiais indiretos (luvas, papelão, fitas) e parte do administrativo. O critério é simples: se a despesa continuaria existindo mesmo se a gráfica parasse de produzir um único cliente, ela é indireta.

GGF é o mesmo que custo fixo?

Quase. GGF é custo fixo visto pela natureza (não identificável com o job); custo fixo é GGF visto pela natureza da decisão (não varia com o volume no curto prazo). Um adicional noturno, por exemplo, é fixo e indireto ao mesmo tempo; a parcela variável de energia é indireta, mas não fixa.

Devo usar horas-máquina ou valor de produção?

Use a base que representa melhor o recurso que o centro realmente consome. Em offset e finishing, horas-máquina. Em serigrafia e em processos com muita mão de obra, horas-homem. Em mix de produtos com margens muito diferentes, valor de produção. Se você não tem histórico confiável, comece com percentual manual e migre para base medida assim que tiver 3 meses de tempo real registrado.

Com que frequência recalculo o GGF?

Mensal, sobre as despesas do período fechado. E a análise de tendência é trimestral: compare o GGF unitário dos últimos meses por produto. Se um item teve GGF unitário 40% maior do que a média dos outros três meses, ou o rateio está errado, ou o job consumiu muito mais recurso do que o previsto.

Posso ratear o GGF inteiro por um único centro?

Pode, se a gráfica for de processo único. Mas a taxa de rateio por centro é justamente o que impede distorção: energia da área de finishing não deveria ser rateada para o setor de design, que não tem máquina. Uma taxa por centro deixa isso explícito e auditável.

Rateie o GGF de verdade, sem planilha

No Cromari, cada despesa indireta entra num centro de custo, cada centro escolhe sua base de rateio, horas-homem, horas-máquina, valor de produção, quantidade produzida ou manual, e o cálculo devolve, item a item, quanto de GGF total e de GGF unitário entrou naquele pedido, com o preço final já somado. As horas vêm do tempo real de produção registrado por etapa.

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