Precificação para gráficas
Tabela de preços para gráfica: como montar e manter
Uma tabela de preços não é uma lista de valores bonitos: é o custo real de cada produto organizado por faixa de quantidade, com margem aplicada por cima. Este guia mostra como montar a tabela a partir do custo, quando reajustar por papel e energia, e por que preço definido sem custo real vira prejuízo diluído em centavos que ninguém vê.
Resposta curta: a tabela de preços da sua gráfica é o custo real de cada produto (material, setup, mão de obra e GGF) organizado por faixas de quantidade, com margem aplicada por cima. Você monta a partir do custo unitário, escala o preço por quantidade porque o setup é fixo, e reajusta sempre que o custo real muda: papel, energia e insumos.
O erro que mais mata margem não é vender barato. É vender com um preço que parece correto e não inclui o custo real. Uma tabela sem GGF, sem setup ou sem o consumo real de material não é uma tabela: é um chute organizado. E chute organizado vira prejuízo de R$ 18,00 por pedido, 20 pedidos por mês, R$ 4.320,00 por ano, tudo vendendo "no lucro" porque o preço parece competitivo.
O que entra no custo de cada produto
Quatro componentes formam o custo real de qualquer produto gráfico. Se um deles falta na tabela, o preço está errado por construção:
- Material por unidade: papel, tinta ou toner, acabamento. É o custo que escala com a quantidade.
- Setup: preparação da máquina, troca de chapa, registro, limpeza. É fixo: custa o mesmo para 500 ou para 5.000 unidades.
- Mão de obra: tempo de preparação e acompanhamento do job. Escala com a complexidade, não com a quantidade.
- GGF rateado: aluguel, energia, supervisão, depreciação. É o custo que existe mesmo quando a máquina está parada, e que a maioria das tabelas esquece.
A fórmula do custo unitário:
custo unitário = [(material + GGF) × quantidade + setup + mão de obra] ÷ quantidade
Montando a tabela: cartão de visita 9x5, couchê 300g
Exemplo real de uma gráfica digital de pequeno porte. Os componentes do custo:
| Componente | Valor | Observação |
|---|---|---|
| Papel couchê 300g | R$ 0,10 | Por unidade, na gramatura padrão |
| Impressão digital (tinta e máquina) | R$ 0,06 | Por unidade, consumo médio |
| GGF rateado | R$ 0,05 | Aluguel, energia e supervisão por unidade |
| Setup do job | R$ 40,00 | Fixo, independente da quantidade |
| Mão de obra | R$ 14,00 | 0,4 h a R$ 35,00 por hora |
Com os componentes definidos, a tabela por quantidade mostra onde o setup pesa e onde ele dilui:
| Quantidade | Custo total | Custo unitário | Preço unitário | Preço total |
|---|---|---|---|---|
| 500 | R$ 159,00 | R$ 0,318 | R$ 0,45 | R$ 225,00 |
| 1.000 | R$ 264,00 | R$ 0,264 | R$ 0,37 | R$ 370,00 |
| 5.000 | R$ 1.104,00 | R$ 0,221 | R$ 0,31 | R$ 1.550,00 |
Repare no que acontece entre 500 e 5.000 unidades: o custo unitário cai de R$ 0,318 para R$ 0,221 porque os R$ 54,00 de custo fixo (setup de R$ 40,00 mais R$ 14,00 de mão de obra) se dividem por mais unidades. O preço cai junto, mas a margem se mantém em 40% em todas as faixas.
É por isso que a tabela existe: ela transforma o conhecimento de custo em regra comercial. Sem ela, cada orçamento é uma negociação isolada, e cada negociação isolada é uma chance de vender abaixo do custo.
Quando reajustar: os gatilhos que importam
Reajuste não é evento anual. É resposta a mudança de custo. Os três gatilhos mais comuns:
Papel: o gatilho mais frequente
Se o papel sobe 12% e representa 30% do custo variável de um produto, o impacto no custo unitário é de 3,6% (12% × 30%). Se o preço era R$ 0,37, o novo preço para manter a margem é R$ 0,38. Parece pouco, mas 3,6% de margem perdida em todos os pedidos de cartão é o tipo de vazamento que aparece no fim do mês como "o lucro foi menor sem motivo".
Energia: o gatilho que entra pelo GGF
Se a conta de energia sobe R$ 800,00 por mês e o GGF total é R$ 12.000,00, o GGF sobe 6,7%. Se o GGF representa 25% do custo total, o impacto no preço é de 1,7% (6,7% × 25%). Menos dramático que o papel, mas acumula: energia não volta ao preço antigo, e o reajuste que você não faz hoje é margem que você não recupera nunca.
Insumos: tinta, toner, acabamento
Tinta e toner sobem em dólar e não avisam. A regra prática: revise insumos voláteis mensalmente, revise o GGF trimestralmente e, em período de alta de insumos, faça reajuste quinzenal. A tabela que você revisa todo mês está sempre certa; a que você revisa uma vez por ano está sempre atrasada.
Por que tabela sem custo real vira prejuízo
Voltando ao exemplo do cartão de visita. Suponha que a gráfica tabelou o preço em R$ 0,30 por unidade "porque o concorrente cobra isso", sem calcular o GGF. O custo real é R$ 0,318 por unidade.
O prejuízo é de R$ 0,018 por unidade. Em um pedido de 1.000 unidades: R$ 18,00. Em 20 pedidos por mês: R$ 360,00. Em 12 meses: R$ 4.320,00. Tudo isso vendendo "no lucro", porque o preço de R$ 0,30 parece competitivo e o prejuízo está diluído em centavos que ninguém vê no extrato.
O agravante: o preço errado não fica parado. Ele vira referência. O cliente que comprou a R$ 0,30 no primeiro mês espera pagar R$ 0,30 no segundo, e o desconto que você dá para "ser competitivo" é na verdade o prejuízo que você já tinha embutido. A tabela correta protege você disso: ela mostra o mínimo aceitável antes de qualquer negociação.
Listas de preço no Cromari: a tabela sem planilha paralela
Se a tabela é a regra comercial, a lista de preço é onde ela vive dentro do sistema. No Cromari, as listas de preço eliminam o problema das planilhas paralelas e dos preços desalinhados entre equipes:
- Tipos de lista: Padrão, Promocional, Contrato e Especial. Cada uma serve a um propósito comercial diferente, sem misturar regra de varejo com regra de contrato.
- Ajuste por percentual ou valor fixo: cada lista guarda a regra de desconto ou acréscimo como percentual ou como valor fixo. Uma lista promocional de -10% para clientes de alto volume, uma lista de contrato com valor fixo por produto. A regra fica em um lugar só, em vez de espalhada por orçamento.
- Listas públicas ou privadas: controle quem vê e quem usa cada lista, com permissões por usuário. O vendedor não precisa ter acesso à lista de contrato para orçar um pedido de varejo.
- Vinculação a clientes e orçamentos: o orçamento registra qual lista de preço foi usada, e a lista pode ter clientes vinculados. O vendedor de varejo não monta um pedido de alto volume do zero porque esqueceu a tabela.
- Proteção contra exclusão: lista em uso não pode ser excluída. Isso preserva o histórico de preços e evita que um delete apague a regra que sustenta orçamentos antigos.
- Preço sugerido com GGF: o sistema calcula o preço sugerido a partir do custo do produto, do percentual médio de GGF do centro de custo dos últimos 3 meses e da margem que você define.
O resultado é uma tabela que vive no sistema, com a regra de cada lista ligada ao orçamento, em vez de uma planilha que ninguém atualiza. Veja como as listas funcionam no ERP para gráficas e confira o cálculo de preço com GGF na página de GGF.
Perguntas que sempre aparecem
Com que frequência devo atualizar a tabela de preços?
Revise insumos voláteis (papel, tinta, energia) mensalmente e o GGF trimestralmente. Em período de alta de insumos, faça reajuste quinzenal. A regra é simples: se o custo real mudou e a tabela não mudou, você está vendendo com margem menor do que pensa.
Como dar desconto por quantidade sem perder margem?
O desconto por quantidade é legítimo porque o setup é fixo: R$ 40 de setup para 500 ou para 5.000 unidades. O erro é dar desconto percentual igual para todas as faixas. Defina o preço de cada faixa a partir do custo unitário daquela faixa, com a mesma margem mínima. Se a margem mínima é 40%, nenhuma faixa pode ser vendida abaixo de custo × 1,40.
O que fazer quando o papel muda de preço no meio do mês?
Recalcule o custo unitário dos produtos que usam aquele papel e aplique o reajuste na tabela a partir do próximo orçamento. Para pedidos já fechados com preço garantido, absorva a diferença ou renegocie antes de produzir. O pior cenário é descobrir o aumento na fatura do fornecedor, três pedidos depois.
Preciso de uma tabela separada para cada cliente?
Não precisa de uma tabela completa para cada cliente. O que você precisa é de uma tabela base por produto e de regras de ajuste por cliente ou segmento. Uma lista promocional para clientes de alto volume, uma lista de contrato para clientes recorrentes e uma lista padrão para o varejo resolvem a maioria dos casos sem multiplicar planilhas.
O Cromari monta a tabela de preços para mim?
O sistema não substitui o seu conhecimento de custo, mas elimina a parte que dá erro: o cálculo. O preço sugerido com GGF usa a média de GGF do centro de custo dos últimos 3 meses, e cada lista de preço guarda a própria regra de ajuste, em percentual ou valor fixo, com o orçamento registrando qual lista foi usada. Você define a regra uma vez.
Monte uma tabela que você consegue defender
No Cromari, as listas de preço têm tipos Padrão, Promocional, Contrato e Especial, ajuste em percentual ou valor fixo, permissões por usuário e proteção contra exclusão de lista em uso. O preço sugerido com GGF usa a média real do centro de custo dos últimos 3 meses.
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