Produção

Fila de produção na gráfica: como cumprir o prazo

Prazo cumprido começa na ordem da fila. Neste artigo: como achar o gargalo, ordenar os pedidos por data de entrega, calcular a capacidade real da máquina e prometer só o que cabe no turno.

Publicado em 08 de outubro de 2026•Atualizado em 08 de outubro de 2026•Leitura: 11 min•Equipe Cromari

Resposta curta: para cumprir o prazo, ordene a fila pela data de entrega prometida, comece pela máquina que é o gargalo e some, em cada pedido, o acerto e o tempo de rodar. Só então confira se a carga cabe no turno. Ordem de chegada é o jeito mais comum de atrasar um pedido que poderia ter saído a tempo.

Gráfica não é fábrica de linha reta. Cada pedido tem papel, formato, cores e acabamento diferentes, e cada troca custa acerto. Por isso a mesma carga de trabalho pode fechar o dia sem atraso ou com um cliente esperando na porta, dependendo só da ordem. A conta abaixo mostra isso com horários.

Primeiro passo: ache o gargalo

Gargalo é a etapa em que o trabalho se acumula e que decide a data de entrega de tudo que passa por ela. Na maioria das gráficas é a offset nos dias de tiragem grande, a guilhotina ou a dobradeira no fim do mês e a laminação quando entra uma leva de cartões e capas. Para achar o seu, olhe onde os pedidos esperam: a máquina que tem sempre uma pilha de papel na frente é o gargalo, não a que fica ociosa de tarde.

Ache o gargalo antes de montar qualquer fila, porque é ele que dita o ritmo. Uma máquina folgada à frente de um gargalo só produz estoque parado. O esforço de organização rende mais quando entra primeiro na etapa mais apertada. Para saber o custo de cada máquina, veja como calcular a hora-máquina.

Capacidade real: quanto a máquina entrega por dia

O erro mais caro de prazo é planejar com a velocidade do manual. A conta que vale é a do que a máquina entrega com o seu papel, a sua tinta e o seu operador, descontando o tempo que ela não está rodando. Veja o exemplo de uma offset de 4 cores que roda 6.000 folhas por hora na prática, com ficha técnica de 8.000.

Capacidade real de uma offset em um turno de 8 horas
ItemValorComo se chega
Turno de trabalho8h = 480 minSem contar almoço
Manutenção e limpeza− 40 minRotina diária da máquina
4 acertos de 30 min− 120 minUm por pedido, não importa a tiragem
Tempo rodando320 min480 − 40 − 120
Velocidade real100 folhas/min6.000 por hora, e não os 8.000 da ficha técnica
Folhas no dia32.000320 × 100, contra 48.000 da conta ingênua

São 32.000 folhas no dia, e não 48.000. A diferença de 16.000 folhas é o que costuma virar atraso: quem prometeu prazo com 48.000 na cabeça descobre às 16h que a conta não fechava. Para medir a sua velocidade real e o que sai por perda de material, veja também perda técnica na gráfica.

Quanto cada pedido ocupa a máquina

tempo do pedido = acerto + ( folhas ÷ velocidade real por hora )

Quatro pedidos na mesma offset, com acerto de 30 minutos cada e velocidade de 6.000 folhas por hora:

Tempo de máquina de cada pedido na offset
PedidoAcertoRodandoTotal
A30 min12.000 ÷ 6.000 = 2h002h30
B30 min4.000 ÷ 6.000 = 40 min1h10
C30 min9.000 ÷ 6.000 = 1h302h00
D30 min3.000 ÷ 6.000 = 30 min1h00
Total2h004h406h40

Os quatro somam 6h40 de máquina, o que cabe no turno de 8 horas. A questão agora é a ordem, porque cada pedido tem uma data diferente.

A mesma carga, duas ordens: o que muda no prazo

A máquina começa às 08h00. Primeiro, na ordem em que os pedidos chegaram ao balcão:

Fila por ordem de chegada (termina às 14h40)
PedidoServiçoMáquinaPrazo do clienteResultado
AFolhetos, 12.000 folhas08h00 às 10h30Amanhã, 12hDentro
BConvite de evento, 4.000 folhas10h30 às 11h40Hoje, 11hAtrasa 40 min
CCatálogo, 9.000 folhas11h40 às 13h40Em 2 diasDentro
DCartões, 3.000 folhas13h40 às 14h40Hoje, 16hDentro

O convite de evento prometido para as 11h só sai às 11h40. Agora a mesma fila, ordenada pela data de entrega:

Fila por prazo (também termina às 14h40)
PedidoServiçoMáquinaPrazo do clienteResultado
BConvite de evento, 4.000 folhas08h00 às 09h10Hoje, 11hDentro
DCartões, 3.000 folhas09h10 às 10h10Hoje, 16hDentro
AFolhetos, 12.000 folhas10h10 às 12h40Amanhã, 12hDentro
CCatálogo, 9.000 folhas12h40 às 14h40Em 2 diasDentro

A máquina trabalhou as mesmas 6h40 e terminou no mesmo horário. A única coisa que mudou foi a ordem, e com ela o atraso sumiu. Esse é o ganho de organizar a fila: não é produzir mais, é produzir na sequência em que cada cliente precisa receber.

Passo a passo para montar a fila do dia

  1. Liste todos os pedidos em aberto com a data e a hora de entrega prometidas.
  2. Marque o gargalo e comece a fila por ele. As outras etapas se ajustam ao que ele consegue entregar.
  3. Calcule o tempo de cada pedido: acerto mais folhas divididas pela velocidade real.
  4. Ordene por data de entrega, do que vence primeiro ao que vence por último.
  5. Some os horários na sequência e confira se cada pedido termina antes do prazo, já descontando o acabamento que vem depois.
  6. Se algum pedido estoura, troque a ordem, divida a carga entre duas máquinas ou renegocie a data antes que ela vença.
  7. Dentro de um mesmo prazo, junte pedidos com o mesmo papel e formato para poupar troca de material.
  8. Deixe a fila à vista da equipe e atualize quando um pedido termina, para o plano do dia nunca ficar velho.

Como prometer prazo sem estourar a fila

Na hora do orçamento o prazo vira promessa, e é aí que muita gráfica se complica. A regra é simples: a data que você fala é a da fila que você tem, e não a da fila que gostaria de ter. No exemplo, a offset já tem 6h40 comprometidas hoje. Chega um pedido de 10.000 folhas, que pede 30 minutos de acerto mais 1h40 rodando, ou seja, 2h10.

6h40 mais 2h10 dão 8h50, e o turno tem 8 horas. O pedido novo não cabe hoje. Ele começa a rodar amanhã cedo, e o acabamento só começa depois que a impressão acaba. Prometer entrega para o fim do dia de amanhã seria atraso garantido; a data honesta é a seguinte, e dizer isso no balcão custa menos do que explicar depois.

Se o cliente não aceita a data, a conta mostra as saídas: encaixar o pedido antes de outro que tenha folga, rodar em uma máquina digital se a tiragem permitir ou fazer hora extra com o custo na ponta do lápis. Qualquer uma é melhor do que prometer e descumprir. Acompanhar o prazo cumprido mês a mês também ajuda; veja os indicadores que todo dono de gráfica deve acompanhar.

Erros comuns na fila de produção

Fila por ordem de chegada

O erro: Rodar o que chegou primeiro, mesmo quando o pedido de baixo na pilha vence hoje.

O certo: Ordene por data de entrega prometida, e só depois por conveniência de máquina. No exemplo, a mesma carga de 6h40 atrasa o convite na ordem de chegada e não atrasa ninguém na ordem de prazo.

Planejar com a velocidade da ficha técnica

O erro: Usar 8.000 folhas por hora porque está no manual da offset.

O certo: Meça a velocidade que a máquina entrega com papel, tinta e operador reais. Com 6.000 por hora e quatro acertos, o dia rende 32.000 folhas, e não 48.000.

Esquecer o acerto de cada pedido

O erro: Contar só o tempo de rodar e prometer o prazo como se a máquina já estivesse pronta.

O certo: Some o acerto de cada pedido na conta. Em tiragem curta, os 30 minutos de acerto pesam mais do que a impressão em si.

Prometer prazo sem olhar o que já está na fila

O erro: Dizer "fica pronto amanhã" na hora do balcão, sem somar as horas que a máquina já tem comprometidas.

O certo: Antes de dar a data, some a carga em aberto da máquina e o acabamento que vem depois. Se a conta estoura o turno, a data é a do dia seguinte.

Ignorar o acabamento depois da impressão

O erro: Planejar só a offset e descobrir na hora de entregar que o corte, o vinco ou a laminação estão parados.

O certo: Trate cada etapa como uma fila própria. A fila da impressão pode estar em dia e a da guilhotina, atrasada, e é a mais lenta das duas que decide a data.

Fila na cabeça de uma pessoa só

O erro: Só o dono sabe qual pedido vem depois, e a produção para quando ele sai.

O certo: Deixe a fila visível para quem opera. Quadro na parede ou quadro no sistema: o que vale é todo mundo ver a mesma ordem.

Onde o Cromari entra na fila

Planilha e quadro branco funcionam até o dia em que o pedido muda de mãos no meio do turno. O Cromari guarda o andamento no próprio fluxo:

  • Etapas na sua ordem: você configura as etapas do processo (arte, impressão, acabamento, expedição, o que fizer sentido na sua gráfica) e a sequência delas.
  • Quadro de produção: os itens aparecem em colunas por etapa e você os move conforme avançam, com a equipe vendo o mesmo quadro.
  • Lead time medido: a tela de lead time mostra quanto os pedidos levam em cada etapa, por etapa ou por pedido, e sinaliza os que ficam acima da média. É o dado que falta para trocar a velocidade do manual pela velocidade real.

O fluxo completo, do orçamento à expedição, está no guia do fluxo de trabalho da gráfica. Para calcular a hora da sua máquina agora, use a calculadora de hora-máquina.

Perguntas que sempre aparecem

Como organizar a fila de produção de uma gráfica?

Ordene os pedidos pela data de entrega prometida, comece pela máquina que é o gargalo e some, para cada pedido, o acerto e o tempo de rodar. Depois confira se o que está comprometido cabe no turno. No exemplo deste artigo, quatro pedidos somam 6h40 na offset: na ordem de chegada um deles atrasa 40 minutos, na ordem de prazo nenhum atrasa.

Qual pedido vai primeiro quando todos são urgentes?

O que vence primeiro, entre os que a máquina consegue entregar. Se dois vencem no mesmo horário, vai na frente o que tem acabamento mais demorado depois da impressão, porque ele precisa de mais tempo de sobra. Pedidos com o mesmo papel e formato podem ficar um atrás do outro para poupar troca de material, desde que isso não passe um pedido urgente para trás.

Como saber a capacidade real da minha máquina?

Cronometre alguns pedidos de verdade, do fim do acerto ao fim da tiragem, e divida folhas por minutos. Use a média e não o melhor dia. Depois desconte manutenção, limpeza e um acerto por pedido. Em uma offset de 6.000 folhas por hora, um turno de 8 horas com 40 minutos de manutenção e quatro acertos de 30 minutos rende 32.000 folhas.

Como prometer prazo que eu consiga cumprir?

Some a carga que a máquina já tem em aberto, o acerto e o rodar do novo pedido e o tempo do acabamento. Se o total passa do turno de hoje, a impressão começa amanhã. No exemplo, a offset já tem 6h40 comprometidas e um pedido novo de 10.000 folhas pede mais 2h10 (30 min de acerto e 1h40 rodando): são 8h50, que não cabem em 8 horas. Esse pedido começa a rodar no dia seguinte, e o acabamento vem depois.

O que fazer quando entra um pedido urgente no meio do dia?

Veja o que está rodando e o que está na frente, calcule quanto o novo pedido empurra cada um e decida com a conta na mão. Se empurrar alguém para depois da data prometida, avise o cliente antes do prazo vencer. Um aviso com antecedência custa muito menos do que uma entrega atrasada sem explicação.

O Cromari organiza a fila de produção?

O Cromari tem um quadro de produção em que cada pedido avança por etapas que você configura na ordem do seu processo, e a tela de lead time mostra o tempo que os pedidos levam em cada etapa e destaca os que ficam acima da média. Ele não monta a fila por você: a decisão da ordem continua sendo sua, mas ela fica visível para a equipe e a medição do tempo real sai do próprio fluxo, sem planilha paralela.

Veja a produção da sua gráfica em um quadro só

No Cromari, cada pedido anda pelas etapas do seu processo, a equipe enxerga a mesma fila e a tela de lead time mostra onde o tempo se perde. Teste e veja o andamento sem planilha paralela.

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