Orçamento e precificação
Como cobrar arte e criação na gráfica sem perder margem
Arte e criação se cobram pela hora do designer, com um número fixo de alterações incluídas e o excedente em linha à parte. Neste artigo: a conta da hora, uma tabela de serviços, um pedido completo em reais e o texto para deixar tudo claro no orçamento.
Resposta curta: calcule o custo da hora faturável do designer, aplique a margem e cobre a criação em uma linha própria do orçamento, com duas rodadas de alteração incluídas. A partir da terceira, cobre cada rodada à parte, pelo valor já escrito no orçamento aprovado.
O erro que mais tira margem de gráfica é tratar a arte como brinde de venda. O cartão de 500 unidades fecha por R$ 190,00 e o designer passa três horas nele. Se a arte não entra na conta, o pedido que parecia bom vira prejuízo. O resto deste texto mostra como fazer essa conta e como evitar a discussão com o cliente.
Primeiro, descubra quanto custa a hora do designer
Quem cobra arte por palpite acaba cobrando abaixo do custo. A base é a mesma da hora-máquina: o custo total dividido pelas horas que de fato geram receita, e não pelas horas do calendário. O designer não passa 160 horas por mês criando arte. Parte do tempo vai em espera de aprovação, conversa com cliente e arquivo parado.
| Item | Valor | Como chegou lá |
|---|---|---|
| Custo mensal do designer | R$ 4.800,00 | Salário, encargos e benefícios. Use o seu número real. |
| Horas do mês | 160 h | Jornada de 8 h por dia útil, em média. |
| Horas que dá para faturar | 112 h | 70% de 160 h. O resto vai em reunião, espera de aprovação e arquivo parado. |
| Custo por hora faturável | R$ 42,86 | 4.800 ÷ 112 = 42,857, arredondado. |
| Preço da hora com 40% de margem | R$ 71,43 | 42,86 ÷ 0,60. Arredonde para R$ 72,00 na tabela. |
Os números são de exemplo: troque pelo custo real do seu designer. Se a arte é feita por você ou por um freelancer, a lógica é a mesma. Use o que a hora custa para a gráfica e aplique a margem que você aplica no resto do catálogo. Para entender por que a margem tem de ser calculada sobre o preço de venda, veja margem de contribuição na gráfica.
Tabela de serviços de arte, em horas e em reais
Com a hora a R$ 72,00, a tabela abaixo mostra um catálogo de arte pronto para consulta. Os tempos são médios de gráfica rápida e comunicação visual; ajuste conforme o que o seu designer leva de verdade. O que não muda é a regra: conferir o arquivo do cliente é custo da casa, e todo trabalho acima disso tem preço.
| Serviço | Tempo | Preço | Observação |
|---|---|---|---|
| Arquivo do cliente pronto para impressão | 0,25 h | Incluso | Conferência de sangria, resolução e cor faz parte do serviço. |
| Ajuste simples de arquivo (sangria, resolução, CMYK) | 0,5 h | R$ 36,00 | Cobrado por arquivo. |
| Diagramação com texto e imagens fornecidos | 1,5 h | R$ 108,00 | Cartão, flyer, convite. |
| Criação de layout do zero (cartão, flyer) | 2 h | R$ 144,00 | Inclui 2 rodadas de alteração. |
| Criação de layout do zero (folder, catálogo) | 4 h | R$ 288,00 | Inclui 2 rodadas de alteração. |
| Vetorização de logotipo existente | 1 h | R$ 72,00 | Cliente tem a imagem, mas não tem o vetor. |
| Rodada de alteração extra | 0,5 h | R$ 36,00 | A partir da terceira rodada. |
Exemplo completo: 500 cartões com criação e duas rodadas extras
O cliente pede 500 cartões de visita e não tem arte. Ele manda quatro rodadas de alteração antes de aprovar. Duas estavam incluídas no orçamento e duas foram além.
| Passo | Valor | Como chegou lá |
|---|---|---|
| Produção de 500 cartões (preço de venda) | R$ 190,00 | Papel, impressão e acabamento, já com margem de 40%. |
| Custo de produção desses cartões | R$ 114,00 | 190 × 0,60. É o que sai do caixa da gráfica. |
| Criação do layout (2 h × R$ 72,00) | R$ 144,00 | Inclui 2 rodadas de alteração. |
| Rodadas pedidas pelo cliente | 4 | 2 incluídas e 2 extras. |
| 2 rodadas extras (2 × 0,5 h × R$ 72,00) | R$ 72,00 | Cobradas à parte, em linha própria. |
| Total do orçamento | R$ 406,00 | 190 + 144 + 72. |
| Horas reais do designer | 3 h | 2 h de criação e 1 h nas duas rodadas extras. |
| Custo da arte (3 h × R$ 42,86) | R$ 128,57 | O que o designer custou de verdade. |
| Resultado sem cobrar a arte | −R$ 52,57 | Receita de R$ 190,00 contra custo de R$ 242,57 (114 + 128,57). |
| Resultado cobrando a arte | R$ 163,43 | 406 − 242,57. Margem de 40,3% sobre o total. |
A gráfica que não cobra a arte fecha o pedido com prejuízo de R$ 52,57. A que cobra criação e rodadas extras fecha com R$ 163,43 de resultado. A diferença é de R$ 216,00 por pedido, e acontece toda vez que um cliente sem arte pede cartão. Com vinte pedidos assim no mês, são R$ 4.320,00 de receita que ficam na mesa.
Passo a passo para cobrar arte sem discussão
- Calcule a hora do designer. Some o custo mensal real (salário, encargos, benefícios) e divida pelas horas que ele consegue faturar, não pelas 160 horas do mês. Depois aplique a margem. É a mesma lógica da hora-máquina, e vale o mesmo cuidado de não esquecer o que a hora ociosa custa.
- Defina o que está incluso e escreva no orçamento. Duas rodadas de alteração é um padrão comum de mercado e funciona bem. Escolha o seu número, mas escreva: "Criação inclui 2 rodadas de alteração". Sem número escrito, o cliente entende que alteração é infinita.
- Separe uma rodada de uma alteração solta. Rodada é um bloco de ajustes enviado de uma vez. Cinco pedidos picados em cinco mensagens de WhatsApp contam como uma rodada só se o cliente reunir tudo antes de mandar. Diga isso no orçamento.
- Coloque a arte em linha própria. Arte e produção em linhas separadas. Se o cliente quiser negociar, negocia o preço da impressão e não a hora do designer. Também ajuda a entender depois quanto a arte representa no faturamento.
- Cobre a extra com o valor já combinado. A rodada extra tem preço de tabela (R$ 36,00 no exemplo). Quando o cliente pedir a terceira rodada, você responde com o valor e ele decide. Não é cobrança surpresa, é o que estava no orçamento aprovado.
- Libere a produção só com a arte aprovada. A aprovação da arte fecha o escopo. Depois dela, qualquer mudança volta como nova alteração, com nova cobrança e, se a máquina já estiver em acerto, com o custo do acerto perdido.
Quando cobrar à parte e quando incluir
Incluir sem cobrar só faz sentido onde o custo é de minutos e o retorno é imediato: conferir sangria, resolução e perfil de cor de um arquivo que o cliente mandou. É o que evita a reimpressão. Esse trabalho protege a sua perda técnica: arquivo errado vira acerto jogado fora.
Cobre à parte quando o designer precisa criar, refazer ou converter alguma coisa: layout do zero, diagramação de texto bruto, vetorização de logotipo, ajuste de arquivo em formato inadequado e toda rodada além das incluídas. Cobre também quando o cliente pede o arquivo aberto. A cessão de direitos autorais, quando existe, precisa ser feita por escrito (Lei 9.610/1998, art. 50, disponível no site do Planalto), e é melhor ter o preço dela definido antes do trabalho começar.
Para pedido de consumidor final, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990, art. 40) manda entregar orçamento prévio com o valor da mão de obra, os materiais, as condições de pagamento e as datas de início e fim do serviço. Uma linha de arte detalhada atende essa regra e protege a gráfica na hora de cobrar. Em caso de dúvida sobre contrato, consulte um advogado.
Texto pronto para o orçamento
Copie e adapte. Fica na linha de arte e no campo de condições do orçamento:
- Linha do item: "Criação de arte de cartão de visita, frente e verso, com 2 rodadas de alteração incluídas."
- Condição: "Cada rodada de alteração além das incluídas é cobrada à parte, a R$ 36,00. Rodada é um conjunto de ajustes enviado de uma só vez."
- Aprovação: "A produção começa após a aprovação da arte. Mudanças posteriores à aprovação são tratadas como nova alteração."
- Arquivos: "Entrega em PDF para impressão. Arquivo aberto sob consulta."
Cinco erros comuns
Dar a arte de brinde para fechar o pedido
Erro: Zerar o valor da criação para o cliente fechar a tiragem, sem anotar quantas horas o designer gastou.
Correção: Se for dar desconto, dê desconto na linha de arte, mostrando o valor cheio e o abatimento. O cliente vê o valor do trabalho e você sabe quanto o desconto custou. No exemplo deste artigo, a arte de brinde transforma uma margem de 40,3% em prejuízo de R$ 52,57.
Não escrever quantas alterações estão incluídas
Erro: Combinar "umas alterações" por mensagem e descobrir na quinta versão que o cliente achava que eram ilimitadas.
Correção: Escreva o número no orçamento e repita quando mandar a primeira prova. O cliente aprova o orçamento já sabendo onde começa a cobrança.
Cobrar pela peça e não pelo tempo
Erro: Fixar R$ 50,00 pela arte do cartão, independentemente de ser um cartão simples ou um cartão com ilustração e três versões de frente.
Correção: Use a hora como base e converta em pacote para os serviços repetidos. Um pacote só funciona se foi calculado em horas antes, senão você está chutando o preço.
Mandar o arquivo aberto sem combinar
Erro: Entregar o arquivo editável da arte quando o cliente pede, sem ter falado nisso no orçamento.
Correção: A arte que você criou é trabalho intelectual e a cessão de direitos autorais, quando existe, precisa ser feita por escrito (Lei 9.610/1998, art. 50). Combine antes se o arquivo aberto está incluso ou se tem preço.
Esquecer a arte na conta de margem do pedido
Erro: Calcular a margem do cartão olhando só para papel, máquina e acabamento, e ignorar as 3 horas do designer.
Correção: Some o custo da arte ao custo do pedido antes de olhar a margem. Pedidos que parecem bons na produção podem estar no vermelho depois que a arte entra na conta.
Como o Cromari ajuda a manter a arte no orçamento
Quando a arte mora em uma planilha ou numa conversa de WhatsApp, ela some do orçamento. No Cromari, ela vira item do catálogo, como qualquer produto:
- Cadastro do serviço: a hora de arte, a diagramação e a rodada extra entram no cadastro de produtos, com unidade e preço de tabela, e ficam à mão em todo orçamento.
- Linha própria: a arte aparece ao lado da produção, com a descrição editável na linha, onde você escreve as rodadas incluídas.
- Condições e prazo: o orçamento tem campo de termos, validade e prazo de entrega, e guarda o desconto que você deu. Assim a regra da rodada extra viaja com o valor aprovado.
- Margem à vista: o preço do pedido sai com custo, GGF e margem calculados no mesmo lugar. Veja a montagem do orçamento no Cromari e como o GGF entra no preço.
Para os erros que mais comem margem além da arte, leia também os erros de precificação na gráfica.
Checklist antes de enviar o orçamento
- A hora do designer está calculada com horas faturáveis, e não com as 160 horas do mês.
- A arte está em linha própria, separada da produção.
- O número de rodadas incluídas está escrito.
- O preço da rodada extra está escrito.
- A conferência do arquivo do cliente está inclusa e o ajuste está com preço.
- Arquivo aberto e cessão de direitos estão combinados.
- A produção só começa com a arte aprovada.
Perguntas que sempre aparecem
Quanto cobrar por uma arte de cartão de visita?
Cobre pelo tempo do designer, e não por um valor chutado. Se a sua hora faturável custa R$ 42,86 e o preço de venda com 40% de margem é R$ 72,00, uma arte de cartão que leva 2 horas sai por R$ 144,00 com duas rodadas de alteração incluídas. Cada rodada extra, a R$ 36,00 (meia hora), entra à parte. Refaça o cálculo com o seu custo mensal real do designer, porque o valor deste exemplo é ilustrativo.
Quantas alterações incluir no preço da arte?
Duas rodadas é um padrão comum e suficiente para a maioria dos pedidos. O que importa é que o número esteja escrito no orçamento e que "rodada" seja definida como um bloco de ajustes enviado de uma vez. A partir da terceira, cobre a rodada extra pelo valor combinado, que no exemplo deste artigo é meia hora do designer, R$ 36,00.
Posso cobrar arte se o cliente já mandou um arquivo?
A conferência do arquivo (sangria, resolução, perfil de cor) deve ficar inclusa, porque sem ela a impressão sai errada e o prejuízo é seu. Se o arquivo precisa de ajuste, como converter de RGB para CMYK, aumentar a sangria ou refazer a diagramação, cobre o ajuste por arquivo, em meia hora ou mais do designer, pela mesma tabela de horas.
O que fazer quando o cliente se recusa a pagar a rodada extra?
Volte ao orçamento aprovado. Se a regra das duas rodadas estava escrita e o cliente aprovou, a cobrança está combinada. Ofereça uma saída: juntar todos os ajustes numa única rodada extra, a R$ 36,00 no exemplo. Para consumidor final, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990, art. 40) exige orçamento prévio discriminando o valor da mão de obra e as condições, e o orçamento aprovado obriga as partes. Por isso vale detalhar a arte numa linha própria.
Como registrar a arte e as alterações no orçamento do Cromari?
Cadastre a arte como um produto de serviço, com unidade em horas ou por peça e o preço de tabela, e adicione como uma linha própria no orçamento, ao lado da produção. A descrição do item pode ser editada na linha, então dá para escrever "Criação de cartão, 2 rodadas de alteração incluídas". O texto das condições do orçamento (campo de termos) leva a regra da rodada extra, e a validade e o prazo de entrega ficam no próprio orçamento.
Ponha a arte no preço de cada pedido
No Cromari, a criação entra no orçamento como item próprio, com descrição editável, condições, validade e prazo de entrega, e o preço do pedido sai com custo, GGF e margem no mesmo lugar. Teste e veja quanto a arte pesa no seu faturamento.
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